Crítica: “Garra de Ferro”

Um filme que você assiste com o sorriso rosto e um aperto no coração define bem os sentimentos que tive ao ver “Garra de Ferro” (Iron Claw), longa da A24 trazido ao Brasil pela California Filmes. Produção de época, é um bom drama esportivo, inspirado na história real da família de lutadores Von Erich, dentro do mundo do pro-wlestling.

Para entender melhor, vamos contextualizar.  Primeiramente, não é um documentário sobre a família, mas uma narrativa de ficção que bebe de elementos da realidade para criar uma obra artística. Assim como todo filme biográfico (não como adaptação), com um contexto que deve ser visto e apreciado.

As lutas de pro-wrestling são uma forma de entretimento com mais de um século, com várias raízes que se confundem, entre elas, os lutadores circenses dos séculos 19 que faziam lutas de exibição e desafiavam a plateia, sendo uma indústria multimilionária forte no Japão, EUA e México (inclusive até a Disney entrou recentemente nessa área).

Um teatro de ação com roteiro e variada liberdade de improvisação em cada caso, exigindo alta resistência corporal e coordenação motora para executar e receber os golpes, criando um show atrativo, enquanto machucados reais são evitados ( ou minimizados) através de muito treinamento prévio.

Dito isso, na trama vemos Fritz (Holt McCalllamy), lutador que encontrou no ramo um meio de sustentar uma família, transformando-a em uma empresa do ramo e seus filhos em lutadores.

O protagonista é o filho mais velho vivo, Kevin (Zac Efron) o lutador mais habilidoso e dedicado. Apaixonado pela área, ao mesmo tempo em que precisa de dinheiro para se sustentar, o grupo vai aumentando sua fama em nível internacional, mas ao custo de sua saúde física e mental.

São contrastantes as cenas de combate e treinamento com o físico monstruoso (positivamente falando) dos lutadores, que mesclam sua expressão de desejo por vitória, em relação aquelas em que estão com trajes formais, em sequências tensas, ou se divertindo com roupas casuais, sendo bem mostradas as múltiplas faces, anseios e conflitos de cada membro da família.

São irmãos apaixonados por pro-wrestling, que realmente se apoiam em cada momento, frente a um mercado extremamente competitivo, gerando exigências pessoais muito grandes para conseguir destaque e lucro, como todo negócio de grande porte.

E se tem um inimigo tão ferrenho quanto o próprio mercado nessa trama é a “maldição familiar”, uma série de tragédias que ocorre há gerações na família e que bate na porta de todos.

Em um aspecto mais amplo, dá para ver essa “maldição” como a doença psiquiátrica da depressão grave, em uma época em que não havia conhecimentos ou recursos para diagnóstico e tratamento.

“Garra de Ferro” se passa no final dos anos 1970 até o final da década de 1980, sendo uma aula de como fazer um filme de época. A trilha sonora competente, que entra no momento certo (muitas vezes com músicas ouvidas pelos próprios personagens), a escolha de filtro e da paleta de cores para se aproximar as filmagens do período sem exageros. Tudo auxiliado pelas câmeras que conseguem captar diversos pontos de vista sem se perder.

E a câmera é fundamental nas sequências dos combates, muito bem coreografados e executados, com os ângulos usadas para alternar entre a visão do público, familiares e competidores, a fim de transmitir os sentimentos individuais, intensificando cada movimento da luta.

Por fim, vale dizer que a garra de ferro do título é um golpe especial transmitido para os filhos. Mais do que uma marca da empresa, o título fala dos altos e baixos da transmissão de um legado.

O filme chega em um momento perfeito às telas, uma vez que o Brasil já teve uma época de ouro, anos atrás, e agora vê o retorno gradual do pro-wrestling ao país, com academias lotadas e a exibição de combates na TV aberta, pela Rede Bandeirantes.

Para quem gosta de dramas, filmes de época ou obras sobre esportes, a produção tem tudo para, merecidamente, brilhar.

por Luiz Cecanecchia – especial para A Toupeira

*Título assistido em Pré-Estreia promovida pela California Filmes.

Filed in: Cinema

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