Quando se pensa em “Jurassic Park” e “Jurassic World”, umas das frases mais emblemáticas, é também uma das mais importantes para definir os conteúdos vistas nas produções de ambas as franquias: “A vida encontra um jeito”.
Com a estreia de “Jurassic World: Recomeço” (Jurassic World: Rebirth), percebemos que não só a vida, mas também o roteirista David Koepp descobriu uma maneira de trazer dinossauros de volta às telas, com a clara intenção de renovar o interesse do público, ao oferecer uma narrativa inédita.
Dirigida por Gareth Edwards (já com certa experiência em criaturas gigantescas, após estar à frente da direção de “Godzilla”), a história se passa primordialmente na Ilha Saint Hubert, em uma região tropical próxima ao Equador, onde vivem os últimos exemplares sobreviventes de dinossauros. Lá funciona o laboratório genético da empresa de bioengenharia e biotecnologia, In Gen, no qual acontecem os mais diversos experimentos que resultam na criação de novas espécies de dinossauros, com mutações físicas e comportamentais, que as tornam ainda mais letais.
A sequência inicial, que mostra o resultado de uma falha estrutural das instalações do local é a que me fez sentir que o longa poderia ser o que se aproximaria do tom mais voltado ao terror, observado no texto original de Michael Crichton, nas duas obras que serviram de base para os outros seis filmes realizados até aqui.
Há um salto para os dias atuais e o que temos é um cenário triste (e, infelizmente, provável, caso acontecesse na vida real): o desinteresse das pessoas, que agora enxergam os dinossauros como estorvos colossais, cuja recriação ganha contornos de equívoco da ciência. Mas, nem todos pensam desse modo. E, quando pesquisas da indústria farmacêutica Research Facility indicam que um eficaz remédio para o coração pode ser fabricado a partir do DNA desses animais, sua importância volta a ser posta em jogo.
Sendo assim, o representante da indústria, Martin Krebs (Rupert Friend), contrata os serviços da mercenária Zora Bennett (Scarlett Johanson), que, junto ao paleontólogo Henry Loomis (Jonathan Bailey), e ao capitão de barco Duncan Kincaid (Mahershala Ali), viajará até a ilha para coletar a substância das três maiores espécies não híbridas: Mosasaurus, Titanossaurus e Quetzalcoatlus.
Só esse enredo já bastaria para segurar a produção, mas ainda há outros personagens envolvidos em uma trama paralela protagonizada por uma família latina (pai, filha mais velha – e seu namorado -, e filha caçula), que se veem em meio à essa missão, após um acidente envolvendo seu barco e dinossauros aquáticos.
Tantos personagens (humanos) em cena, por vezes parecem exagerados, uma vez que há várias coisas acontecendo ao mesmo tempo e há muitos cortes para deixar cada grupo em evidência. A explicação mais lógica é que houve a intenção de se recriar algumas sequências memoráveis, facilmente reconhecidas pelos fãs dos títulos anteriores.
Como de costume, os elementos mais interessantes são os dinossauros. Dos pequeninos inofensivos, ao sempre imponente T-Rex, cada um imprime sua marca em tela e maravilha os espectadores. A parcela de temor, dessa vez fica para o incomum Distortus Rex (D-Rex), que assusta não só por sua aparência, mas por uma conduta altamente agressiva e mortal. Prova de que é viável pegar o que já é garantia de sucesso e acrescentar uma boa dose de novidade a um tema que faz história nos cinemas há mais de três décadas.
“Jurassic World: Recomeço” tem conveniências de roteiro que beiram o imperdoável, mesmo para quem suprime o senso de verossimilhança no momento em que as luzes se apagam. Por outro lado, o espetáculo visual e a sempre impecável trilha de John Williams – que ganha faixas originais, com tons mais sombrios, de Alexandre Desplat – fazem valer a pena assistir ao longa.
Se esse será, de fato, o recomeço da franquia, só o tempo (e as bilheterias) dirão. Eu espero que sim, afinal, como dito em certo momento do filme: “Os dinossauros podem estar cansados de nós, mas não nós deles”.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Universal Pictures.


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