Não é novidade que inúmeras franquias que começam sendo vendidas como obras de terror, em algum momento enveredam para um gênero mais “leve” (por assim dizer), que ainda se pauta em assustar os espectadores, mas que não consideram ofensivo se a audiência soltar risadas durante as exibições.
Assim foi com vários títulos dos anos de 1980 e 1990 – e até mesmo dos anos 2000, que acabaram tornando-se, cada um a seu modo, clássicos – instantâneos ou tardios. E parece ser o que teremos com a chegada de “M3GAN 2.0” aos cinemas brasileiros.
Sequência direta do longa de 2022, a nova trama escrita por Gerard Johnstone (também responsável pela direção) se passa dois anos após os acontecimentos vistos em seu antecessor e mostra a roboticista Gemma (Allison Williams) com uma mudança drástica de postura.
Se antes ela achava natural deixar a sobrinha Cady (Violet McGraw) sob os cuidados de uma boneca biônica, agora ela exalta a necessidade de se colocar um limite na utilização de Inteligência Artificial em atividades cotidianas.
Tal pensamento é avalizado por seu namorado Christian Bradley, fundador de uma renomada organização que trata sobre os perigos da IA. Por outro lado, a afirmação é posta em xeque, quando o mega empresário do ramo de tecnologia, Alton Appleton (Jemaine Clement), traz à luz um chip neural capaz de feitos incríveis – como devolver seus movimentos perdidos devido a uma lesão na coluna.
Simultaneamente, AMELIA (Ivana Sakhno), uma nova e perigosa androide – criada a partir da ideia inicial de Gemma e usada como arma militar do governo americano – dá indícios de ter conquistado uma inesperada autonomia e não hesita em colocar a humanidade em risco, enquanto busca por um artefato que poderá dar início a uma guerra tecnológica sem precedentes.
Mas, e a M3GAN (voz de Jenna Davis e trabalho de corpo de Amie Donald)? Com o drástico final visto no título que inaugurou a franquia, a personagem surge, em um primeiro momento, de maneira bastante peculiar, mostrado – em partes – em um dos trailers oficiais.
Tomando o posto de única alternativa viável para combater a nova antagonista, ela passa a apresentar um comportamento mais próximo de uma anti-heroína, e o terror (que já pisava em ovos, a fim de manter a classificação indicativa baixa), perde ainda mais espaço para cenas cômicas e de ação que invadem a tela sem nenhum impedimento.
Sendo justa, há uma sequência em específico que surpreende por sua imprevisibilidade. Assim como existem elementos que remetem ao que fez sucesso antes, como a protagonista fazendo uma nova dança, além de outra performance de canto, dessa vez embalada por “This Woman’s Work” de Kate Bush.
Mantendo uma nítida crença no potencial da franquia – mas, agora sem deixar claro qual caminho supostas produções futuras haverão de tomar – o final de “M3GAN 2.0” não se fecha por completo à ideia de novas aparições da boneca.
O que deverá agradar a parcela de espectadores que comprar a ideia desse upgrade – seja da personagem, ou da história em si.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Universal Pictures.


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