
“Com certeza, um dia isso vai mudar. Esse mundo cinza vai ganhar cores no futuro.”
Realizado a partir de uma campanha de crowdfunding, “Make a Girl” (Meiku a Garu) conta uma história na qual tecnologia e sentimentos humanos se mesclam na busca por relacionamentos “perfeitos” que agreguem valor às nossas vidas.
Baseada no curta “Make Love”, a trama do anime de Gensho Yasuda (responsável pela Direção, Roteiro, Design de Personagens e Direção de Arte) se passa em um futuro (talvez mais próximo do que podemos imaginar) em que a convivência diária com robôs – que façam mais do que aspirar pó, tocar músicas ou acender as luzes de uma casa – não é mais algo impensável.
O avanço da tecnologia é a base do trabalho de Akira Mizutame (voz de Shun Horie), jovem roboticista que busca de maneira quase passional, a continuidade dos trabalhos de sua falecida mãe, Inaba, também um grande nome no ramo da Robótica.
Frustrado com os repetidos fracassos em suas tentativas de melhorar as funções dos robôs de suporte conhecidos como Solt, Akira acredita que não pode ter nenhum tipo de distração que o leve para longe de seu intento.
É quando seu amigo Kunihito Obayashi (Toshiki Masuda) sugere que o garoto encontre uma namorada. Conselho acatado sem pestanejar por Akira, que decide a questão de maneira surpreendente: criando Zero, uma companheira androide.
A ideia de ter alguém cuja existência foi milimetricamente pensada em laboratório, dá ao protagonista a falsa sensação de que nada poderia acontecer fora de seu controle. Mas, ele se torna vítima de sua arrogância, quando ZERO deixa de ser apenas uma criação fria, para mostrar-se bem mais complexa, adquirindo a inesperada capacidade de demonstrar sentimentos próximos aos de pessoas reais.
E esse é o mote para o desenvolvimento da narrativa de “Make a Girl”, o princípio da dúvida da “namorada robô” que começa a questionar até que ponto sua submissão faz parte de quem ela é realmente ou se é tudo parte de uma programação artificial que lhe foi imputada contra sua vontade.
Visualmente, a produção é bem executada, com traços e cores que simbolizam com sucesso a ideia de um futuro altamente tecnológico, mas que ainda depende da ação de seres humanos para ter continuidade.
Quanto à trama, seu ponto alto é a capacidade de gerar empatia no público, mas não pelo garoto humano, e sim pela androide. É notável a representação de sua dor e decepção, quando percebe que o objeto de sua afeição a enxerga como algo descartável, que pode ser realocado e esquecido, quando isso lhe for mais conveniente.
2025 começou com uma ideia parecida nas telas, com a estreia do também admirável “Acompanhante Perfeita”. E a discussão sobre até que ponto a ética deve prevalecer sobre os infindáveis (e nem sempre louváveis) desejos humanos parece longe de terminar.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Sato Company.


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