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Crítica: “Manual Prático da Vingança Lucrativa”

“Prometa que não vai desistir até ter o estilo de vida certo.”

Faltam quatro horas para a execução de Becket Redfellow (Glen Powell), protagonista de “Manual Prático da Vingança Lucrativa” (How to Make a Killing).

Trancado em sua cela solitária e diante de uma última refeição pouco apetitosa, ele conta a padre Morris (Adrian Lukis), com riqueza de detalhes, o caminho trilhado até sua condenação.

Com roteiro e direção de John Patton Ford, a sátira com ares de thriller é inspirada no filme britânico de 1949, “As Oito Vítimas”, de Robert Hamer, e faz um retrato ácido de como grandes quantias de dinheiro podem corromper as pessoas – tanto as que as possuem, quanto as que as almejam.

A narrativa começa com a descoberta da gravidez de Mary Estella Redfellow (Nell Williams). A jovem bilionária é deserdada e esquecida por sua família, que não entende sua escolha de ter um relacionamento com alguém fora de seu círculo social, detentor de poucas posses.

Os anos passam e Becket (nessa fase, vivido por Grady Wilson) torna-se um garoto cujos modos destacam-se entre os demais com quem convive. A educação dada por sua mãe serve para prepará-lo para alçar voos muito maiores do que sua apenas realidade humilde lhe permitiria.

Com a morte precoce de Mary Estella, o menino fica sozinho no mundo e entra para a triste estatística de crianças que passam parte de sua infância e juventude migrando entre locais de acolhimento.

Já adulto, Becket mora em Nova Jersey, trabalha em uma Loja de Ternos e não parece acreditar em um futuro mais próspero do que aquele. Mas, a promessa feita no leito de morte de sua mãe e o reaparecimento de Julia Sterway (Margaret Qualley) – seu amor de pré-adolescência – fazem com que uma improvável lembrança ocupe espaço entre seus pensamentos: a de que também é herdeiro legítimo da fortuna de sua família.

Entre ele e a quantia de dinheiro capaz de lhe garantir uma vida de luxo e riqueza, há “apenas” um obstáculo, ou melhor, sete: três primos, dois tios, uma tia e seu avô. Quanto mais próximo de seu objetivo o protagonista chega, mais o espectador se vê no lugar de questionar qual o limite para suas ações serem vistas como frutos de justiça pela oportunidade que lhe foi negada, antes mesmo de seu nascimento.

Diz o ditado que a prática leva à perfeição e é isso que acontece, conforme Becket elimina os parentes. Se, a princípio, havia dúvidas e falta de jeito, o que vemos em tela é o progresso de suas ações, enquanto tenta equilibrar sua nova (e bem-sucedida) vida amorosa, ao lado da noiva, Ruth (Jessica Henwick), seu novo trabalho – oferecido pelo próprio tio, Warren (Bill Camp), e a manutenção dos planos de tornar-se bilionário.

Em certo ponto, o roteiro dá a sensação de ter oferecido tudo que era possível e começamos a entender, com antecedência, o que virá a seguir. Mas, quando as coisas parecem óbvias, a trama dá uma guinada capaz de subverter quase tudo que o público julgava saber.

O que transforma os momentos finais do longa em seu grande trunfo e faz de “Manual Prático da Vingança Lucrativa” uma produção, de um jeito peculiar, bem interessante.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Diamond Films.

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