
“Nunca desista dos seus sonhos, porque eles nunca desistirão de você.”
Entre minhas lembranças de infância mais antigas, o amor pelo trabalho de Mauricio de Sousa se faz mantém intocado. Revistas, livros, brinquedos, roupas com estampas temáticas, LP’s, tantas coisas ajudaram a escrever uma época marcante o suficiente para permanecer na memória e no coração.
“Mauricio de Sousa: O Filme” leva às telas de cinema a história do cartunista que encanta gerações há mais de seis décadas. E como é bonito descobrir que, mesmo quando o caminho não é dos mais fáceis, ele ainda pode – e deve – ser trilhado, se tivermos a certeza de isso é o que nos fará felizes.
A trama nos apresenta o protagonista ainda criança (nessa parte, interpretado por Diego Laumar), na década de 1940, vivendo com seus pais, Antônio (Emilio Orciollo Netto) e Nila (Natália Lage) em Mogi das Cruzes, município da região metropolitana de São Paulo.
A simplicidade com que as crianças são capazes de enxergar as coisas, aliada às fronteiras da imaginação, fazem de Mauricio um menino feliz, que ama sua família e parece ter uma centelha natural que o ilumina.
São vários os elementos que ajudaram a escrever sua narrativa de sucesso, entre eles, o relacionamento cheio de uma linda cumplicidade com sua avó Dita (Elizabeth Savalla) e o amor pela leitura iniciado graças ao achado fortuito de um exemplar da revista em quadrinhos “O Globo Juvenil” descartado em uma calçada.
Já tencionando trabalhar com quadrinhos, Mauricio (agora vivido por Mauro Sousa) muda para São Paulo em 1954, mas as coisas não saem exatamente como esperado. Seus primeiros trabalhos em um jornal são como revisor de texto e repórter policial, o que lhe promove subsistência, mas não satisfaz os desejos de seu coração.
Enquanto busca uma oportunidade de mostrar seu valor, ele conhece Marilene Spada (Thati Lopes), jovem divertida e cheia de vida, que se tornará sua primeira esposa e mãe de quatro de seus dez filhos: Mariângela, Mônica, Magali e Maurício.
O roteiro escrito por Pedro Vasconcelos (também à frente da direção junto a Rafael Salgado) e Paulo Cursino mostra as etapas da trajetória do futuro cartunista, até conseguir o reconhecimento de seu trabalho, após (felizmente) se negar a acreditar naqueles que afirmavam que ele nunca teria êxito na carreira de autor de quadrinhos no Brasil.
A criação dos personagens, as tirinhas inaugurais, as negativas de publicação, as primeiras edições, a conquista do próprio estúdio – inicialmente chamado de “Bidulândia”, em homenagem ao cãozinho azul que se tornou símbolo da marca que leva o nome de Mauricio. Tudo mostrado com delicadeza na cinebiografia, de forma a dar voz à imaginação e talento que são as bases de toda a obra do autor. E, após tantos anos, é lindo perceber que todo esforço rendeu frutos que seguem celebrados por públicos diversos e que jamais serão esquecidos.
Com adoráveis recursos visuais para representar o que se passa na mente do garotinho que sempre tem um sorriso a oferecer e uma boa trilha sonora – que conta com faixas como “Bola de Meia, Bola de Gude” (de 14 Bis) e “Aquarela” (de Toquinho), o espectador é convidado a embarcar em uma viagem repleta de nuances que, sem esforço, nos fazem acreditar que é possível alcançar nossos sonhos.
Mauricio de Sousa tornou-se patrimônio mundial. É fácil encontrar quem diga ter crescido – e até sido iniciado no mundo da leitura – através do conteúdo criado por ele. A dimensão de sua importância talvez nunca possa ser medida. E, de algum modo, é gratificante sentir que cada fã faz parte dessa história, quase como se também fôssemos moradores do Bairro do Limoeiro e integrantes da amada Turma da Mônica.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Star Distribution Brasil.


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