Crítica: “Mergulho Noturno”

Filmes com elementos assombrados que fujam da tradicional casa amaldiçoada são variados,  de quartos de hotel a máquina de passar roupa. Ao colocar uma piscina como foco do sobrenatural, “Mergulho Noturno” (Night Swin) segue essa linha para tentar inovar.

Na história, Ray Waller (Wyatt Russell) – um jogador de baseball afastado por uma doença crônica – se muda com sua família para facilitar a terapia e construir uma nova vida.  Porém, a piscina do lugar mostra-se feita para seduzir e aterrorizar quem a frequenta.

A piscina pode parecer uma escolha aleatória, mas coleções naturais de água estão fortemente conectadas a lendas de mistério em diversas mitologias. A água é a fonte de várias criaturas do livro do Apocalipse, ao mesmo tempo em que é o meio de batismo e purificação.

Se monstros são guardiões de lagos em várias histórias – como as aves de ferro que Hércules enfrentou – também possuem maravilhas ocultas, como o Palácio da Dama do Lago nas lendas do Rei Arthur. Inclusive, lembro que James Wan, um dos produtores do filme, é diretor da franquia “Aquaman” e coordenador da saga “Invocação do Mal”.

E por que toda essa conexão entre água e medo? Um dos motivos é que lagos foram os primeiros espelhos, logo, um dos primeiros elementos da natureza vistos como portais para outras realidades.

Infelizmente, essas possibilidades todas não são aprofundadas (sem trocadilhos) no roteiro de Bryce McGuire (também à frente da direção) e Rod Blackhurst, apesar da obra tratar realmente de diversas conexões humanas com a água.

O mais interessante é como cada familiar desenvolve sua relação com a piscina de  forma própria (a esposa com as duas crianças, interpretados por Kerry Condon, Amelie Hoefert e Gavin Warren), com o medo crescendo de forma distinta em cada, enquanto o pai desenvolve uma fascinação doentia pela mesma. Outro fator intrigante é a origem da força sobrenatural aquática, a qual possui quase uma realidade própria, com cenas bem elaboradas.

As atuações possuem algumas limitações, mas estão dentro do necessário para a trama. O maior pecado é a falta de definição da identidade visual da ameaça, o que resulta também da falta de coerência dos poderes e de clareza do funcionamento do poder maligno.

Mesmo a lógica principal de como funciona a força das trevas tem furos consideráveis quando descoberta, parecendo ganhar propriedades diferentes em cada sequência, unicamente pra encaixar cenas de susto (jump scares).

Isso não estraga a diversão para quem desejam apenas um terror mais leve e é fã de filmes de assombrações como um todo, sendo mais bem feito do que vários títulos de terror aquático sobrenatural no mercado de streaming. A construção emocional da família acaba sendo um diferencial importante nesta linha.

Por fim,  quem gosta de jump scares vai adorar “Mergulho Noturno”, pois, as cenas de tensão que precedem cada um são bem feitas – o que digo com certa autoridade, porque tenho muita dificuldade em tomar sustos com produções de terror.

por Luiz Cecanecchia – especial para A Toupeira

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Universal Pictures.

Filed in: Cinema

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