Crítica: “Névoa Prateada”

“Névoa Prateada” (Silver Hazer) é um filme difícil. As cenas passam e não se sabe para onde vão te levar. Um longa de poucas palavras, muitos olhares, alternando fotografias incríveis, com outras propositalmente estranhas, que compõem uma sequência de interrogações agonizantes.

Um incêndio sempre volta à lembrança de Franky (a atriz inglesa Vicky Knight, que compartilha do mesmo drama da personagem), numa busca inanimada de culpados pelas queimaduras que carrega em seu corpo, permeiam sua vida sem porquês.

Trabalha em um hospital como enfermeira e mora com a família na região leste de Londres, vivendo uma vida superficial, sem acreditar na possibilidade de trocas sentimentais, sem estar, de certa forma, vivendo. Franky não se sente pertencente a esta vida real. Ela sobrevive a cada dia, porque tem que ser assim.

Algo súbito, e jamais esperado, acontece em sua vida. Ela se envolve com uma de suas pacientes do hospital. Florence (Esme Creed-Miles) leva Franky para o litoral onde vive sua família, e a partir desse relacionamento, por seu temperamento oscilante, coloca movimento na vida da protagonista, tanto para o bem quanto para o mal.

Franky passa a conhecer sentimentos e emoções, há muito paralisados em sua existência. Assim como começa a ter uma relação afetuosa com a família de Florence e sofrer com sua inconstância.

Com roteiro e direção de Sacha Polak, “Névoa Prateada” é uma viagem sem volta, de uma vida sem perspectivas, sem futuro, com um pouquinho de presente e um dominante, insistente – e tão presente – passado. Nada leva a nada, mas tudo faz sentido, ao perceber que tudo é tão simples, e que nós estamos mal acostumados a fantasiar a vida.

A névoa prateada que permeia a vida de Franky é a mesma que nos envolve durante o filme. Algo que se torna sufocante conforme a narrativa avança. Seu ritmo, seu tempo lento, nos perturba, mas a ansiedade em saber aonde chegaremos, nos faz persistir. Não se arrependerá quem chegar ao final da reticente história de Franky, o desfecho simples valerá por toda jornada.

por Carlos Marroco – especial para A Toupeira

*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Bitelli Films.

Filed in: Cinema

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