Crítica: “Notícias Populares” (série)

Houve uma (boa) época na qual a rotina de milhares de pessoas incluía começar cada dia de trabalho / escola parando em alguma esquina, para o que se pode chamar de “leitura coletiva”.

Na lateral da banca de jornais e revistas, as edições expostas eram um convite para se espantar com notícias que pareciam apenas saídas de uma imaginação fértil, mas que, incrivelmente, muitas vezes eram apenas fatos que marcaram a história de nosso país (para o bem o para o mal).

Entre os jornais correntes, o “Notícias Populares”, assim como o próprio nome indica, trazia as novidades de maneira mais simples, para atingir um número mais significativo de público (também atraído pelo valor mais baixo da publicação, em comparação a outros concorrentes nem tão diretos assim).

É para contar o trâmite do momento em que o assunto surgia na redação, até a chegada da edição impressa às mãos do leitor, que estreia hoje, 29 de setembro, às 22h30, a série “Notícias Populares”, no Canal Brasil. A obra é uma criação do jornalista André Barcinski e do cineasta Marcelo Caetano.

A temporada formada por sete episódios (que chegarão semanalmente ao canal e à Globoplay + Canais) gira em torno da transferência de Paloma (Luciana Paes), que trabalhou como correspondente do jornal Folha de SP em Paris, por oito anos, e agora retorna ao Brasil. Antes de ser efetivada na redação local, ela precisará passar três meses junto à equipe do Notícias Populares, com a (dura) missão de modernizar o jornal.

A trama passada em 1993 faz um inteligente compilado de verdadeiras pérolas do jornalismo da época, incluindo matérias icônicas como o famigerado “Bebê Diabo” que, supostamente, nasceu na cidade paulista de São Bernardo do Campo, depois de uma gestação de 11 meses.

O assunto, que começou sem muita crença por parte dos profissionais do NP, tornou-se um de seus maiores marcos, gerando vendas absurdas e ganhando proporções cada vez maiores, através da participação direta do público – que ia pessoalmente à redação, para contar suas experiências com a entidade mirim.

Brasileiros já estão acostumados a vivenciar o absurdo, então, aceitar a existência de um bando de palhaços sequestradores de crianças parece simples, em um país cuja estrutura política é posta em xeque pela presença (ou nesse caso, falta) de uma roupa íntima.

A verdade é que por quase 38 anos, entre outubro de 1963 e janeiro de 2001, o que não faltou foi combustível para o Notícias Populares inflamar opiniões e, por incrível que pareça, trazer reflexões, ainda que de maneira mais “grosseira”.

Quem viveu a década de 1990 vai se lembrar dos muitos fatos retratados na série (ainda que com óbvias e necessárias adaptações), incluindo a falta de pudor com que o sensacionalismo era trazido à tona (por veículos impressos, televisivos e radiofônicos). E o quanto isso rendia em números finais de audiência, bilheteria e tiragens.

O elenco da produção parece muito à vontade em cena, o que ajuda o espectador a fazer essa viagem no tempo para adentrar o edifício localizado na capital de São Paulo (que serviu de locação para a série), observando a preocupação com a cenografia e todos os objetos que remetem à época. E o destaque já começa com a abertura, que não só traz manchetes marcantes, como lembra a expressão que afirmava que, se o jornal fosse torcido, escorreria sangue.

O final em aberto indica a clara vontade de se fazer outra temporada e, material para isso, há em profusão. Afinal, como diz a colunista social Greta (interpretada por Ana Flávia Cavalcanti): “Se eu tivesse medo de processo, eu nem saía de casa para trabalhar”.

por Angela Debellis

*Episódios assistidos a convite do Canal Brasil.

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