Crítica: “O Cara da Piscina”

Apesar de Chris Pine ser uma figura bem carismática para os fãs de obras hollywoodianas, o ator constantemente é estigmatizado por fazer sempre o mesmo papel – muitos apontam suas atuações em “Mulher-Maravilha” e “Star Trek”, por exemplo.

Em seu novo trabalho, “O Cara da Piscina” (Poolman), no qual ele atua como roteirista, produtor, diretor e protagonista, Chris nos entrega um personagem caricato bem distante do que costuma apresentar em suas empreitadas. Mas, infelizmente, o longa não é nenhum primor e sua tentativa de buscar um papel inusitado acaba perdida em um roteiro confuso e desestimulante.

Quando estreou no festival de Toronto, Chris Pine deixou bem claro que “O Cara da Piscina” é largamente inspirado no clássico de Jack Nicholson “Chinetown” um aclamado título que resgatou elementos narrativos do gênero Noir.

Podemos ver essas inspirações muito antes do protagonista do longa de Chris Pine dizer a similaridade com o filme de Nicholson com todas as letras em tela, o que talvez mostre um receio do diretor da referência não ficar clara o suficiente para seu público. Tal receio é justificado, pois, embora carregue  em si os elementos de tramas Noir, eles estão soterrados em piadas e diálogos duvidosos, que desviam a percepção até dos mais fanáticos por esse gênero de investigação.

Acompanhamos o limpador de piscinas, Darren Barrenma (Chris Pine), uma figura excêntrica e sempre presente nas reuniões municipais da cidade de Los Angeles. Um dia, ele é abordado por June Del Ray (DeWanda Wise), uma misteriosa mulher que afirma existir um caso de corrupção envolvendo os poderosos da Cidade dos Anjos. Caberá protagonista investigar de desmascaras os políticos envolvidos nesse suposto crime.

O bem intencionado Chris Pine mirou em ser uma homenagem ao gênero Noir e acabou acertando em ser uma sátira. Isso porque a produção apresenta todos os elementos que obras investigativas geralmente abordam em seus roteiros, como a Femme Fatale, o chamado para o mistério, as reviravoltas e o protagonista desvendando gradativamente o crime.

Mas, em “O Cara da Piscina”, todos esses elementos são desconstruídos, como é o caso do protagonista, que em títulos Noir são cínicos e sagazes, e aqui Darren se mostra ingênuo e geralmente chega à conclusão errada. Essa desconstrução ocorre por todo a narrativa, algumas vezes bem-feita, mas em geral problemática.

Para quem gosta de filmes Noir, pode ser uma experiência interessante, afinal, explora os clichês do gênero e tenta inovar ao contar uma história de comédia com um personagem improvável dentro desse tipo de narrativa, contudo, o humor pouco inspirado é um agravante, no final das contas.

por Marcel Melinsk – especial para A Toupeira

*Título assistido em Pré-Estreia promovida pela Diamond Films.

Filed in: Cinema

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