Crítica: “O Jogo da Invocação”

Entre as linhagens de filmes de terror, temos os clássicos de possessão – não necessariamente de exorcismos, mas de entidades demoníacas tentando controlar a nós e quem amamos. E uma linhagem que ficou mais forte recentemente, o de jogos sombrios, onde os protagonistas estão presos em brincadeiras que resultam em morte ou danos brutais dos participantes.

“O Jogo da Invocação” (All Fun and Games) inova ao mesclar as duas temáticas em uma obra divertida. Na história, a adolescente Billie Fletcher (Natalia Dyer) vive em Salem com sua família problemática e planeja um jeito de deixar sua casa. Porém, seus irmãos serão vítimas de uma maldição, transformando uma noite de festa em uma batalha pela sobrevivência.

Algo importante para mergulhar o telespectador em uma história é a caracterização dos personagens, evitando que virem uma lista de nomes genéricos de quem morre ou vive na trama. Aqui, cada familiar é bem caracterizado, com a impulsividade do irmão mais novo, Jonah (Benjamin Evan Ainsworth); Marcus (Asa Butterfield) – o irmão mais velho que o protege; Sophie (Laurie Marsden) – a amiga mais intelectual; Pete (Kolton Stewart) – o namorado rebelde, entre outros.

Isso ajuda também nas sequências de possessão, que não mostram algo súbito. Temos as forças demoníacas buscando seduzir e manipular de forma cada vez mais incisiva seus hospedeiros, enquanto estes ficam em um estado mental de conflito cada vez mais acentuado, entre o medo e a tentação durante as tentativas de domínio.

Outro elemento necessário em um terror deste gênero é a coerência interna sobre as regras de funcionamento das forças sobrenaturais. E em “O Jogo da Invocação”, os preceitos são fundamentais e coerentes.

As entidades precisam de um ritual específico para se manifestarem e só podem atuar dentro de condições bem restritas, responsáveis pelos desafios mortais que os personagens enfrentam. À medida que vão descobrindo como essas regras funcionam e são criadas, surge a esperança de quebrar a maldição.

Podemos ver, entre os temais centrais do filme dirigido por Eren Celeboglu e Ari Costa (que também são co-roteristas junto a J. J. Briader), a importância do escutar com cuidado em oposição ao agir por impulso, tudo acentuado a cada novo jogo diabólico nos quais os personagens são envoltos.

Isso, sem deixar de lado os momentos quando o raciocínio rápido é vital, mas que só podem resultar em boas decisões, se você estiver realmente atento ao que está acontecendo e ao que já ocorreu.

A escolha por Salem como cenário não é à toa. A figura da bruxa aparece, sendo uma releitura que realmente atrai o espectador para conhecer a história da feiticeira e sua relação com a maldição, sem cair no óbvio.

O uso das cores e a trilha sonora ajudam a criar cenas de perseguição. Existem momentos em que o longa quase cai no clima de aventura, o que pode quebrar o clima para alguns. Mas, rapidamente é puxado para a tensão sobrenatural.

O objeto cênico ao redor do qual a obra gira – a adaga mística de osso – é extremamente bem-feito, protagonizando ótimos momentos, uma releitura visual da clássica faca de slashers, sendo os detalhes de sua criação abordados de maneira detalhada e clara, além de estar presente nas sequências de perseguição e possuir ótimos enquadramentos nos momentos de possessão.

Para quem gosta de terror sobrenatural com altas perseguições ou deseja ver um título de slasher ou jogo sombrio diferente, fica a dica.

por Luiz Cecanecchia – especial para A Toupeira

*Título assistido em Pré-Estreia promovida pela Diamond Films.

Filed in: Cinema

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