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Crítica: “O Primata”

“A Hidrofobia é mais conhecida pela palavra em latim para ‘Loucura’: ‘Raiva’.”

Humanos com QI, no mínimo, questionável. Um Chimpanzé com ações que lembram outros nomes clássicos do terror, mas que ganham ainda mais destaque quando executadas por um animal.

Esses ingredientes simples formam a receita irretocável de “O Primata” (Primate), que chega às telas com uma apresentação que trabalha com tudo o que há de melhor dos subgêneros slasher e gore, para entregar um resultado que deve agradar em cheio os fãs de terror.

A narrativa escrita por Ernest Riera e Johannes Roberts (este, também à frente da direção) se passa em um sufocante ambiente único: a mansão onde vive a família de Lucy (Johnny Sequoyah) no Havaí. Com o controle absoluto das ambientações, fica mais fácil dimensionar o perigo quando a ação começa de fato.

A jovem – que estuda em outro estado – vai visitar sei pai, Adam (Troy Kotsur) e a irmã caçula, Erin (Gia Hunter), que, após o falecimento da matriarca, permanecem morando na luxuosa casa à beira-mar, junto ao animal de estimação, Ben (Miguel Torres Umba).

O Chimpanzé, resgatado pela falecida professora de Linguística, passa de uma fonte de estudos a um membro da família. Com inteligência surpreendente, o primata de comportamento dócil mostra-se capaz de comunicar-se com os humanos, além de entender diversos comandos de complexidade variada.

Mas, a pacificidade de Ben dá lugar a uma fúria incontrolável, após ele ser mordido por um mangusto portador de Hidrofobia. E esse talvez seja o ponto em que o intelecto dos personagens humanos seja mais colocado em dúvida, afinal, como não percebem que há algo diferente, quando o macaco, ganindo, aponta tantas vezes para o lugar em que foi ferido?

Seguindo a cartilha desse tipo de produção, a história insere outras figuras que pouco acrescentam, e chegam apenas para aumentar o número de mortes em tela. E a verdade é que a obra brilha nesse quesito, ao entregar execuções explícitas, com direito a muito sangue cenográfico e atitudes que parecem friamente estudadas por Ben – que se transforma em alguém a ser temido e cuja moralidade não é um impedimento para acabar com quem quer que seja, incluindo aqueles que o acolheram antes.

Com a facilidade do CGI (que também é utilizado, porém, com moderação), “O Primata” usa com sabedoria os efeitos práticos, o que, por mais absurdas que sejam as situações, faz com que haja uma boa dose de credibilidade, a fim de o público não só aceitar, mas vibrar com o que vê. Admita: é muito mais fácil torcer pelos animais – em qualquer circunstância – do que esperar que humanos pouco privilegiados de inteligência se deem bem em um título de terror.

Em dado momento do longa, surge a acertada afirmação: “Há algo de errado com o Ben”. Mas é justamente isso que faz com que nos interessemos em descobrir o que virá adiante e o que torna o filme um dos títulos mais promissores do ano.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Paramount Pictures.

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