“No dia do seu nascimento, nasce também a sua morte. E ela passa a procurar você.”
Um das maiores características dos fãs de terror slasher é a aceitação de que esse gênero não tem a obrigação de ser revolucionário. Se bem feita, mesmo uma narrativa com ares de repetição consegue mostra-se interessante.
Em “O Som da Morte” (Whistle), não há nenhuma grande novidade, mas o resultado obtido através de elementos comumente usados nesse tipo de obra fica em um lugar bem mais aceitável do que muitas outras que tentam vender a ideia de originalidade.
Já no início do longa dirigido por Corin Hardy, vemos as consequências de quem não sabe conter sua curiosidade diante de um artefato que, se não bastam as orientações proibindo seu uso (sendo estas escritas em um idioma pouco usual), deveria ser incitar distanciamento por sua aparência nada amistosa.
Mas, como quase todo jovem que compõe o elenco de um título de terror, Mason “Horse” Rymore (Stephen Kalyn) não parece ser muito perspicaz e vai aprender de uma forma bem dolorosa que nem tudo que pode, deve ser feito – nesse caso, assoprar um antigo apito da morte asteca, que tem tudo para causar transtornos (ou algo bem pior).
Após essa introdução didática e explícita, a trama passa a girar em torna de Chrysanthemum – ou, simplesmente, Chrys (Dafne Keen), jovem que depois da trágica perda do pai passa a morar com seu primo Rel (Sky Yang). Com um passado bastante problemático – que inclui uma overdose por drogas ilícitas – ela precisa acostumar-se à nova vida a ela reservada.
Embora sofra um já esperado bullying por parte de alguns alunos do colégio local – uma vez que, além de uma aparência peculiar, ela se julga culpada pela morte do pai – a garota logo passa a fazer parte de um grupo formado pelos tipos clássicos do slasher e que, por consequência, será quem vai colher os frutos da típica inconsequência juvenil.
O maior destaque do roteiro de Owen Egerton é a criatividade para criar mortes diferentes, dentro de um ponto em comum: não só aquele que assoprar o apito, mas todos ao seu redor que ouvirem o som, passarão a ser perseguidos pela morte, que ceifará suas vidas prematuramente. O óbito se dará da forma como aconteceria no momento certo, transformando-os no que seriam em seu último suspiro.
Ou seja, determinado personagem que morreria em um acidente de trânsito causado pela imprudência de dirigir alcoolizado, sentirá as dores / fraturas / ferimentos, mesmo estando em longe de um automóvel. E tudo é mostrado ao público de maneira explícita, com direito a uma maquiagem bem realizada, mesclada a um CGI que não chega a ser ofensivo.
Marcando mais um ponto na lista de itens que não podem faltar, em meio ao caos que se instaura quando os jovens percebem o perigo que correm – e o quão pouco têm a fazer a respeito – ainda há tempo para a descoberta de um novo amor. Afinal, enfrentar a fúria da morte é bem mais fácil se estivermos acompanhados (pelo menos é o que pensam os roteiristas).
O ponto mais fraco do filme é a explicação que surge como um modo de driblar o trágico fim. Quando a repetição nem sempre é vista como um problema, a falta de criatividade corre o risco de atingir dimensões bem maiores do que deveria e empobrece o conteúdo exibido antes do defecho.
No geral, “O Som da Morte” serve como uma boa pedida a quem não se incomoda tanto com a história, mas busca por sequências interessantes de slasher – essas sim as melhores razões para se dar uma chance à produção.
Espere pela cena adicional que indica a possibilidade de continuações futuras.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Paris Filmes.


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