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Crítica: “Perfeitos Desconhecidos”

“O Celular virou a Caixa Preta”

Seja sincero(a): Você teria coragem, sem nenhum tipo de subterfúgio, de abrir as futuras notificações que chegarem em seu celular, para pessoas próximas? O quanto você estaria seguro em expor sua “intimidade digital”, sem que isso pudesse lhe causar problemas reais?

É o que os personagens de “Perfeitos Desconhecidos” irão descobrir durante o desenrolar da narrativa escrita por Clara Pelter e Patricia Corso, que traz às telonas, a adaptação brasileira de “Perfetti Sconosciuti” – produção italiana de Paolo Genovese, que, desde o seu lançamento em 2016, já teve mais de vinte remakes em diversos idiomas, tornando-se o título mais adaptado do mundo, segundo o Guinness Book.

Na versão nacional dirigida por Júlia Jordão, a trama se passa durante um churrasco promovido por Carla (Sheron Menezzes) e Gabriel (Danton Mello). Típico “casal de propaganda de margarina”, a psicóloga com clara obsessão por aparência e o cirurgião plástico que age de maneira calculada, a fim de soar natural, recebe amigos em sua residência (pronta para virar capa de alguma revista de decoração), sem imaginar o que viria a seguir.

Por sugestão da filha do casal, Alice (Madu Almeida), anfitriões e convidados aceitam deixar seus aparelhos celulares à mercê de qualquer um que estivesse presente no local. Ideia que, por si só, já tem enraizada em sua concepção a forte chance de gerar todo tipo de constrangimento.

Aos moradores da mansão, unem-se a jornalista Paula (Débora Lamm) e a professora / sua companheira, Luciana (Gisele Itié). Além do amigo de faculdade de Carla / solteirão convicto, João (Fabrício Boliveira) e o namorado nerd / cosplayer de Alice, Renato (Luigi Montez).

O heterogêneo grupo se verá no mesmo barco, quando os primeiros alarmes de notificações soarem e segredos vierem à tona, de forma a colocar relacionamentos e amizades em risco. Mas, se tal resultado parece óbvio, quanto mais sabemos sobre os conteúdos telefônicos, mais somos levados a caminhos diferentes do imaginado, o que é um ponto bastante positivo.

A decisão artística de fazer com que a história inteira se passe no tempo de duração do churrasco e apenas nos ambientes da residência ajuda a amplificar a tensão. Como se cada um estivesse, de fato, preso àquele espaço (que, em uma perspectiva mais filosófica, pode ser visto como a representação da tela dos telefones, cadeias virtuais às quais nos rendemos, de bom grado, a cada dia).

Sem ter conhecimento de nenhuma das outras versões, sabendo apenas que o final desta nada tem a ver com o original, a sensação é a de que algumas coisas vistas no decorrer das ações provocadas pelas descobertas perdem a força em seus momentos finais.

Por mais que, supostamente, a ideia seja oferecer uma visão otimista, a verdade é que existe certo exagero ao se resolver questões – cuja problemática varia entre simples e grave – de modo tão raso e efêmero.

Ao término de “Perfeitos Desconhecidos”, fica a dúvida se, ao retomarem suas próprias vidas (porta afora e livre dos efeitos do álcool e da adrenalina), os personagens do filme terão outras percepções do que acabaram de presenciar e o quanto as inesperadas revelações trarão de impacto, daqui para frente, nos laços construídos anteriormente.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Sony Pictures.

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