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Crítica: “Predador: Terras Selvagens”

“Não somos caçados por ninguém. Não somos amigos de ninguém. Somos predadores de todos”. (Código de Honra de Yautja Prime)

Quando se trata da franquia “Predador”, Dan Trachtenberg já tem experiência, uma vez que esteve à frente da direção dos títulos mais recentes: “O Predador: A Caçada” (filme de 2022) e “Predador: Assassino de Assassinos” (animação de 2025), ambos lançados diretamente em streaming.

“Predador: Terras Selvagens” (Predator: Badlands) marca a estreia do diretor – que também assina o roteiro com Patrick Aison – no comando da saga nas telonas e mostra mais do que regularidade, com um resultado que impressiona pela coragem e qualidade.

A narrativa se passa em Yautja Prime, planeta natal das temíveis criaturas que foram apresentadas ao mundo em 1987, em “Predador”, longa dirigido por John McTiernan e estrelado por Arnold Schwarzenegger (um dos grandes representantes do gênero ação na época).

Nesse cenário inóspito, o protagonista Dek (Dimitrius Schuster-Koloamatangi) sofrerá com a sentença de seu pai (Reuben de Jong e voz de Dimitrius Schuster-Koloamatangi), que, por enxergá-lo como inferior – por sua estrutura física menos imponente que a dos demais representantes da raça, incluindo seu irmão mais velho, Kwei (Mike Homik e voz de Stefan Grube) – resolve bani-lo do clã.

A fim de provar seu valor, e para fugir de um destino ainda mais cruel, Dek segue em direção ao planeta Genna, onde reside Kalisk “Aquele que não se pode matar”. O jovem guerreiro acredita que se eliminar a criatura, conseguirá a admiração dos que deveriam respeitá-lo de qualquer maneira.

Chegando a seu destino, e enquanto busca por quem enxerga como um troféu, Dek terá seu caminho cruzado por Thia (Elle Fanning), uma sintética produzida pela Weyland-Yutani, que está no planeta há dois anos, com graves danos em sua estrutura e sem nenhum tipo de assistência, após o fracasso de sua missão.

Com vasto conhecimento sobre a fauna e flora local, Thia se mostra uma poderosa aliada, mesmo sendo o oposto de seu novo e improvável companheiro, inclusive, no que diz respeito à imensa necessidade de se comunicar de maneira quase incessante.

Por falar em comunicação, uma das melhores decisões da produção é usar o idioma nativo de Yautja Prime durante toda a história, o que dá um aspecto bem mais impactante a cada diálogo entre a dupla, com uma ótima justificativa para o modo como escutamos o áudio.

Como se enfrentar um oponente conhecido por sua incrível capacidade de sobreviver já não fosse problemático o bastante, Dek ainda terá que lidar com Tessa (também interpretada por Elle Fanning), cuja programação em muito lembra a rigidez de sua própria raça, onde força e frieza emocional são sinônimos de poder.

“Predador: Terras Selvagens” dá um salto arriscado ao colocar o guerreiro alienígena – que sempre desempenhou o papel de antagonista – em uma posição que faz com que os espectadores não só simpatizem, mas verdadeiramente torçam por ele.

O que não significa que o personagem seja fraco, pelo contrário. Ao ter que lutar contra monstros externos (a tirania de seu pai) e internos (as próprias dúvidas sobre seu valor), Dek abre uma margem para que muitas histórias possam ser contadas, mantendo a essência que já conhecemos e acrescentando uma dose de interesse à rica mitologia dos Yautja.

Como destaques finais, a empolgante cenografia de Gareth Edwards, que faz de Genna um lugar exótico e perigoso na mesma proporção. E o ótimo trabalho de som da equipe de som que ajuda na imersão do público em todos os momentos – de uma simples caminhada a impressionantes batalhas.

Vale muito a pena conferir.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela 20th Century Studios.

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