
“Não quero que os meus medos prendam você. Siga suas paixões até onde te levarem.”
Segunda adaptação cinematográfica de uma obra de Colleen Hoover a chegar às telas em pouco mais de um ano (“É assim que acaba” estreou em Agosto de 2024), “Se não fosse você” (Regretting You) conta uma história que faz pensar sobre a máxima de que “os opostos se atraem” – obviamente válida no ramo da física, mas bastante duvidosa no âmbito de relacionamentos.
Iniciada em 2007, a trama roteirizada por Susan McMartin se passa em torno de dois casais distintos que não parecem feitos um para o outro: a tímida Morgan Davidson (Allison Williams) e seu namorado popular Chris Grant (Scott Eastwood); e a expansiva Jenny Davinson (Willa Fitzgerald), namorada do retraído Jonah Sullivan (Dave Franco).
Embora pareçam felizes à primeira vista, é fácil notar que entre eles há mais do que os olhos veem ou do que se julga o certo a fazer. Porém, qualquer dúvida ou pretensão é deixada de lado quando Morgan descobre estar grávida, o que culmina em um casamento prematuro com Chris.
Dezessete anos depois, o centro da narrativa passa a ser a necessidade de Morgan se reconectar com a filha adolescente, Clara Grant (McKenna Grace), enquanto lida com a dor de perder o marido (Chris) e a irmã (Jenny) em um acidente. Ao mesmo tempo em que descobre segredos – nem tão imprevisíveis assim – que a fazem questionar determinadas escolhas de sua vida.
O longa alterna gêneros durante toda sua duração. Não que isso seja ruim, mas tal caminho nem sempre é funcional, já que momentos que deveriam ser mais emotivos – até para cair nas graças do público que sente empatia pelo sofrimento de personagens fictícios – acabam suavizados pelas lentes do que convence mais quando migra para a comédia romântica.
Um dos vários exemplos que ilustram essa transição persistente da obra: Alheia à verdade que se esconde nos bastidores da família, Clara – mesmo durante o período de luto pela morte do pai – abraça a paixão incontrolável que sente pelo vizinho Miller Adams (Mason Thames, sendo um dos nomes mais requisitados da atualidade). E a dor da perda logo é substituída pelas experiências tão marcantes do início da vida adulta. Saem as lágrimas, entra o romance água com açúcar.
E essa premissa também vale para os personagens mais velhos: com o falecimento dos respectivos pares, Morgan e Jonah voltam a acender a faísca que não se desenvolveu há quase duas décadas. Mas agora, com o peso não só dos anos que se passaram, mas da dúvida sobre como adentrar a porta que se abriu a um relacionamento que parecia fadado a nunca acontecer.
Em se tratando do lado “cômico” do longa, o destaque fica para Lexie (Sam Morelos), a divertida amiga de Clara que sempre tem uma resposta pronta na ponta da língua, responsável pelas melhores tiradas em cena.
Com a direção de Josh Boone, “Se não fosse você” entrega um resultado que talvez agrade mais os leitores prévios (digo “talvez”, porque não li o livro no qual se baseia, então, não posso falar sobre a qualidade da adaptação), mas que não chega a comprometer a experiência de quem apenas gosta desse tipo de filme com reviravoltas previsíveis, mas cuja falta de surpresas é compensada pela honestidade das ideias.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Paramount Pictures.


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