
“Os Bons Tempos nunca pareceram tão bons.”
Sendo uma ouvinte ocasional da vasta obra Neil Diamond (e da adaptação brasileira de “I am… I said”, que popularizou-se no Brasil em 1972, como “Por que brigamos?”, na voz da cantora Diana), sem nenhuma bagagem prévia sobre o casal protagonista e após ler a sinopse oficial, “Song Sung Blue – Um Sonho a Dois” (Song Sung Blue) me deu a impressão de ser um filme comovente.
Daqueles que assistimos de vez em quando para nos lembrarmos de que existe uma razão para seguir em frente, mesmo quando o resto parece mostrar o contrário. O que eu não esperava era que o longa baseado no documentário homônimo de Greg Kohs (lançado em 2008) fosse me emocionar tanto. A verdade é que, para o bem ou para o mal, a realidade sempre será mais impressionante do que qualquer ficção.
A narrativa passada em Wisconsin, no final dos anos de 1980 nos apresenta Mike Sardina (Hugh Jackman, dando voz ao showman que vive dentre dele) e Claire Stengl (Kate Hudson, em interpretação poderosa, que lhe rendeu a indicação ao Oscar de Melhor Atriz).
Ele, um veterano do Vietnã, que se orgulha de sua sobriedade mantida há 20 anos e mantém um bom relacionamento com a filha Angelina (King Princess), mesmo após o divórcio. Ela, uma cabeleireira que luta para manter a si própria e à filha única, Rachel (Ella Anderson).
Em comum, o amor incondicional pela música, demostrado da maneira que lhes é possível: através de apresentações como covers de nomes icônicos como o cantor de pop tradicional, Don Ho, e a intérprete de canções country, Patsy Cline. Mas há outro ponto importante e é esse que vai juntá-los, a partir da ambição de montar um dueto em homenagem a Neil Diamond.
Tal união iniciada nos palcos, com a criação de “Light & Thunder”, também passa para o campo da vida em comum, quando dois corações partidos e machucados pelo tempo e por sonhos não realizados se veem diante de uma nova possibilidade de escrever suas histórias.
Mas, nossos caminhos nem sempre são trilhados ostentando a melodia que desejamos. E o sucesso alcançado – principalmente em sua terra natal, Milwaukee – e que se dimensiona até o palco da turnê de Pearl Jam (no auge do sucesso do movimento Grunge), com Eddie Vedder compartilhando os vocais de “Forever in Blue Jeans” – divide espaço com um acidente inesperado sofrido por Claire e com a as consequências da falta de tratamento com as quais o paciente cardíaco Mike convive, pela impossibilidade de ter um seguro saúde.
A triste coreografia verídica executada pelo casal que, assim como dito em determinado momento do longa dirigido por Craig Brewer (também responsável pelo roteiro, junto a Greg Kohs) “estava tão perto”, aproxima os personagens do público.
E, entre o inconfundível trompete de “Sweet Caroline” e as lágrimas derramadas por quem sabe que merecia / poderia mais, nos pegamos torcendo para que o poderoso som de Trovão e a intensa luz de Raio sejam suficientes para que haja um final feliz.
Assim como diz a música que lhe serve de título, em 132 minutos de duração, “Song Sung Blue – Um Sonho a Dois” carrega um valoroso discurso: “Eu e você estamos sujeitos à melancolia às vezes. Mas quando você pega a melancolia e faz dela uma canção, você a canta em voz alta novamente”. Mike e Claire entenderam a mensagem e a viveram de modo exemplar.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Universal Pictures.


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