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Crítica: “Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno”

Adaptar “Silent Hill” para o cinema sempre foi um desafio ingrato. A franquia de games construiu sua força menos no susto imediato e mais na imersão psicológica, no terror que nasce dos traumas dos personagens e se manifesta no mundo ao redor.

Os dois títulos anteriores, lançados em 2006 e 2012, falharam justamente nesse ponto: apresentaram uma leitura confusa da mitologia, personagens pouco envolventes e uma estética que raramente transmitia o desconforto essencial da série. O primeiro ainda se sustenta melhor que o segundo, mas ambos deixaram um gosto amargo nos fãs.

“Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno” (Return to Silent Hill) surge como um recomeço, sem ligação direta com as adaptações anteriores, apesar de contar novamente com o diretor do longa de 2006 (Christophe Gans), decisão que já despertava desconfiança.

Inspirada livremente em um dos jogos mais celebrados da era PlayStation 2, a trama acompanha James(Jeremy Irvine), um homem devastado pela perda, que retorna a Silent Hill após receber uma carta misteriosa de seu amor perdido. Ao chegar, encontra uma cidade distorcida, povoada por figuras aterradoras, enquanto sua própria sanidade começa a ruir.

O início é promissor. A ambientação funciona, há bons enquadramentos que dialogam tanto com os jogos quanto com o terror clássico, e a cidade transmite um clima incômodo e melancólico.

No entanto, à medida que a narrativa se aprofunda, a obra perde força. As limitações do CGI e dos efeitos práticos tornam-se evidentes, o terror psicológico dá lugar a um suspense mais convencional, e a experiência passa a se arrastar. Aos poucos, o longa acaba remetendo aos mesmos problemas que marcaram as adaptações anteriores.

“Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno” não é um desastre completo. Como entretenimento despretensioso, funciona em um dia qualquer, sem grandes expectativas.

Mas, para os fãs, fica novamente a sensação frustrante de que “Silent Hill”, um universo rico, perturbador e profundamente humano, nos games, ainda não encontrou no cinema as mãos certas para traduzir sua essência.

por Rogério Oliveira – especial para A Toupeira

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Paris Filmes.

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