You are here: Home // Cinema // Crítica: “Zoopocalipse – Uma Aventura Animal”

Crítica: “Zoopocalipse – Uma Aventura Animal”

“Isso é um zoológico. Nada faz sentido”

Por não ter muitas pessoas com idades próximas à minha, na família, eu fui uma criança que assistiu a obras pouco indicadas para espectadores mais jovens. E, sim, estou falando de títulos de terror que tiveram um impacto substancial em minha predileção pelo gênero, até hoje.

Mas, sendo sincera, acredito que a introdução da pequena Angela no mundo desse tipo de produção poderia ter sido mais leve, sem ser atirada diretamente nas garras de um assassino que invade sonhos, um psicopata que usa uma máscara sem expressão (e outro que esconde o rosto atrás de uma máscara de Hóquei), traumatizada por um boneco ruivo vestindo macacão jeans e por um palhaço de brinquedo com braços enormes – de quem eu ainda me lembro quando preciso olhar embaixo da cama.

Essa é justamente a proposta de “Zoopocalipse – Uma Aventura Animal” (Night of the Zoopocalypse), longa canadense dirigido por Ricardo Curtis e Rodrigo Perez-Castro, que consegue mesclar com graça e eficácia dois gêneros tão diferentes quanto incríveis: animação e terror.

A ideia não é nova – visto que há outros “amálgamas” que se tornaram clássicos para os fãs – como “O Estranho Mundo de Jack”, “A Noiva Cadáver” e “Frankenweenie”, que saíram da mente genial de Tim Burton, para ganhar as telas e os corações dos fãs. Contudo, a mistura de temas é tão rica, que sempre dá para acrescentar algo inédito (ou pelo menos realizado de um jeito diferente) e alcançar um bom resultado.

Escrita por James Kee e Steven Hoban – a partir do conceito de uma história inédita do multitalentoso Clive Barker – a trama se passa em Colepepper, zoológico canadense onde a curiosa lobinha Grace (voz de Gabbi Kosmidis, no original e Viih Tube na versão brasileira) vive com a alcateia liderada por sua experiente avó, Abigail (Carolyn Scott).

Por mais que os animais pareçam ser bem tratados, a rotina do local beira o tédio, uma vez que o confinamento forçado não lhes dá muitas opções. Tal quadro muda com a queda de um meteorito que atrai a atenção de um adorável coelhinho.

Ao morder o fragmento especial, ele vira uma espécie de zumbi que passa imediatamente a buscar novas “vítimas”. Mas calma, lembre-se de que, mesmo com essa temática, ainda se trata de uma animação, o que significa que a metamorfose transforma o peludinho fofo em uma criatura feita de jujuba verde neon!

Com o caos estabelecido, Grace se verá diante da missão de encontrar uma cura para os animais infectados, enquanto faz novas e inesperadas amizades pelo caminho. Cada um a seu modo, todos terão papéis importantes nessa jornada.

Como o lêmure Xavier (Pierre Simpson / Ed Gama), que, como todo “estudante de cinema sabe de cor as etapas que compõem a estrutura padrão de um filme. O leão-da-montanha Dan (David Harbour / Luiz Feier) e o macaco Felix (Paul Sun-Hyung Lee / Jorge Vasconcellos) que, indignados com o futuro em cativeiro, veem nessa invasão, a chance de se libertar. E, a queridinha dos brasileiros, capivara, também está presente, representada pela carismática Frida (Heather Loreto / Carina Eiras).

Há referências maravilhosas a grandes longas de terror / ficção científica, como “A Noite dos Mortos-Vivos” e “Alien – O Oitavo Passageiro”, com detalhes que não passarão despercebidos pelo público mais velho, como o nome do avestruz, Ash (Scott Thompson / Manolo Rey).

Assim como há de se destacar rápidas sequências que remetem a elementos e artifícios muito usados em narrativas de ambos os gêneros, seja em questão de enquadramento, iluminação ou citações. Ponto também para a adequada trilha sonora de Dan Levy.

Por outro lado, a fofura corre solta, literalmente, pelos corredores do zoológico, na forma da filhote de hipopótamo pigmeu, Lu (Christina Nova / Valentina Pawlowna ) – de quem eu, sem dúvida, compraria uma pelúcia, se fosse lançada.

A personagem talvez seja a melhor representação do público-alvo almejado: uma criança que tem contato com o terror e suas consequências, mas que lida com isso de maneira descontraída – até se divertindo – sem se deixar atingir em exagero.

“Zoopocalipse – Uma Aventura Animal” é uma das opções mais bacanas do ano para conferir nos cinemas.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Diamond Films.

comment closed

Copyright © - 2008 A Toupeira. Todos os direitos reservados.