You are here: Home // Cinema, Direto da Toca // Direto da Toca: Participamos da Coletiva de Imprensa de “O Agente Secreto”

Direto da Toca: Participamos da Coletiva de Imprensa de “O Agente Secreto”

Crédito: Bia Ferrer

Na tarde de ontem, 28 de outubro, participamos da Coletiva de Imprensa de “O Agente Secreto”, que contou com a presença do diretor Kleber Mendonça Filho, a produtora Emilie Lesclaux, e os atores Wagner Moura (que teve atraso justificado pelas adversidades balísticas do Rio de Janeiro e do caos de uma São Paulo chuvosa), Alice Carvalho, Gabriel Leone, e a revelação do longa, Tânia Maria. O evento que ocorreu na capital paulista, teve a mediação de Roberto Sadovski.

O diretor começou desculpando-se pelo atraso geral da coletiva. Em seguida, falou da jornada da obra, durante a qual a distribuidora americana Neon criou uma turnê, a fim de atender a convites muito “prestigiosos”, como para os festivais de New York e Toronto, e para a academia espanhola, entre outros de considerável valor.

Também confirmou a estreia de “O Agente Secreto” no Brasil para 06 de novembro (data em que você confere nossa Crítica Completa aqui no site), em conjunto com Portugal e Alemanha. “São vários lançamentos em um lançamento”, disse Kleber.

Depois de posicionar o filme no cenário internacional, o diretor comentou que as indicações para melhor roteiro original, e para Wagner Moura, como melhor atuação, no Gotham Awards (importante premiação que pode conduzir ao caminho do Oscar) o fizeram refletir sobre o assunto. Terminou brincando dizendo “eu gosto muito do roteiro”.

“Tenho o desejo muito especial de que esse filme seja descoberto por gente muito jovem”, declarou, quando perguntado sobre o caráter político implícito da produção. Seguiu falando que a carga de informações sobre o lugar onde vivemos é de fundamental importância.

Com a chegada do Wagner, Kleber ressaltou que quando escreveu o roteiro e criou o personagem principal estava pensando nele, e criou algo que o ator “nunca tinha feito muito”, e que ineditamente faria aqui, pelo fato de ele ser um astro, um grande ator e carregar o filme “com o rosto dele”. A cena com Alice Carvalho é curtíssima, mas é “onde se entende a lógica do nosso país. Que não é uma lógica muito boa, inclusive”, acrescentou o diretor.

Crédito: Bia Ferrer

Wagner elogiou o trabalho da figurinista Rita Azevedo Gomes, após contar que nasceu em 1976, e que mesmo a ditadura tendo acabado em 1985, quando ele a era criança, ainda viveu seus ecos, com os pais falando baixinho certos assuntos. O que o fez também se lembrar da camisa do pai aberta, com os pelos do peito aparecendo e o cigarro Marlboro no bolso esquerdo, enaltecendo a perfeição da pesquisa de Rita, ao reproduzir esse visual em cenas de seu personagem. “Se deixar correr solto, o cinema passa a ser feito só por procedimentos técnicos”, completou Kleber, sobre a importância das referências pessoais.

Na sequência, a produtora Emilie Lesclaux respondeu sobre a direção de arte, e falou também sobre as parcerias internacionais do filme e as co-produções, principalmente com a França, através de Evgenia Alexandrova, diretora de fotografia. Citou também a Holanda e a Alemanha, em finalizações e efeitos especiais.

Em determinado momento, o diretor foi inquerido sobre a questão regionalista, e de maneira muito sábia e inteligente, disse que, sendo pernambucano, cresceu achando que as novelas da Globo eram regionais, onde se reproduzia predominantemente o sotaque carioca. Continuou falando que estamos num momento único, no qual se tem títulos, assim como “O Agente Secreto”, com múltiplos sotaques, e que nunca precisou que um ator mudasse o seu jeito de falar em seus trabalhos.

“A gente nunca faz pensando no que vai acontecer depois”, declarou Gabriel Leone, quando novamente surgiu o assunto sobre as probabilidades de concorrer ao Oscar.

“Kleber é um diretor incomparável e o Wagner é um professor”, afirmou a nova sensação do cinema nacional, Tânia Maria, tirando risos da plateia jornalística. Em resposta, Wagner contou que na primeira cena que gravou foi com ela, é possível ver sua cara de “abestalhado”, admirando o domínio cênico da atriz.

Aos 29 anos, Alice Carvalho falou que “tem um símbolo que é inefável”, ver uma atriz começar a atuar aos 72 anos e que é de grande valor estar presente numa sala onde as pessoas estão interessadas no trabalho de uma mulher de 78 anos. “Tenho algumas amigas atrizes com 38, 42 anos que são muitas vezes tomadas pelo sentimento de que a carreira acabou, ou que estão muito novas para serem mães, ou muito velhas para serem filhas de alguém”, completou ao se posicionar sobre o mercado etarista.

A coletiva se encerrou com Kleber falando sobre o significado da volta pra casa, e que gosta muito da sequência inicial de “O Agente Secreto”, pois é muito cinematográfico começar um filme numa estrada.

por Carlos Marroco – especial para A Toupeira

comment closed

Copyright © - 2008 A Toupeira. Todos os direitos reservados.