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Direto da Toca: Participamos da Coletiva de Imprensa de “Wicked” com Gloria Groove

Crédito: Aline Miranda

Com uma temporada de enorme sucesso de público e crítica (que chega ao final em 12 de outubro, após várias prorrogações), “Wicked” ainda tem fôlego para acrescentar uma nova dose de magia a seu elenco estelar.

Aconteceu na manhã desta quinta-feira, 21 de agosto, a Coletiva de Imprensa para celebrar a chegada de Daniel Garcia / Gloria Groove à produção. O ator/cantor/dublador será a primeira drag queen a interpretar um papel no musical, dando vida à Madame Morrible.

Além de Daniel / Gloria, parte do elenco marcou presença no palco do Teatro Renault em São Paulo (onde o espetáculo segue em cartaz), Myra Ruiz, Karin Hils, Cleto Baccic, assim como o produtor Claudio Cavalcanti. O evento foi marcado pela euforia unânime em trazer a novidade ao público que terá oportunidades reduzidas de conferir a atuação de Gloria, já que a participação especial ocorrerá em somente dez sessões.

Claudio deu início à conversa com os jornalistas afirmando que a atual temporada da peça adaptada da obra original de Gregory Maguire (lançado em 1995) tem surpreendido até mesmo as previsões mais otimistas da equipe, contando com o expressivo número de mais de 200 mil espectadores, durante os quatro meses e meio desde que estreou. O produtor também contou, em primeira mão, que a versão encenada em 2023 nos palcos brasileiros foi licenciada para nove países, incluindo mercados do Oriente Médio, Índia e um país europeu, que, nos próximos anos, vão reproduzir ou se inspirar na produção.

Para quem ama livros, a grande novidade é o lançamento de um belíssimo livro comemorativo com informações inéditas sobre todo processo criativo de “Wicked”, com direito a croquis de figurinos, maquiagem, perucaria, cenografia etc. Com tiragem de 2000 exemplares, a obra de 200 páginas (que não teve seu valor revelado) começará a ser comercializada a partir de sábado, 23 de agosto, na sessão das 15h, durante a estreia de Gloria.

Crédito: Divulgação

Crédito: Divulgação

Cleto Baccic exaltou os admiradores do musical, resumindo em uma frase brilhante: “Se ‘Wicked’ é a magia, sua base de fãs é o feitiço que não se quebra”. Declarou ainda que há uma busca de conexões e um constante trabalho para o desenvolvimento de mais camadas e vieses que possam ser oferecidos ao público.

O intérprete de O Mágico de Oz falou sobre o impacto que a genialidade dos autores do texto original exerce sobre as mais diversas gerações, fazendo com que a cada retorno dos espectadores ao teatro, eles encontrem outras possibilidades de identificação com os personagens, sendo viável identificar-se com todas as figuras em algum momento.

Karin Hils, que vive Madame Morrible, disse que, com a estreia de “Wicked” nos cinemas, no final de 2024, uma bolha foi furada e que muitos que não tinham conhecimento da obra e/ou oportunidade de ir ao teatro musical, expandiram seus horizontes a partir da adaptação cinematográfica – cuja parte 2 chega às telas em 20 de novembro, com distribuição da Warner Bros. Pictures.

Myra Ruiz, a “Elphaba do Brasil”, relembrou o início de sua trajetória do teatro musical aos 17 anos e confirmou sua admiração pelos colegas de trabalho, mostrando-se muito agradecida pela oportunidade de estar vivendo esse momento de êxito profissional.

Fã confesso da história não contada das Bruxas de Oz, Daniel Garcia começou seu depoimento falando sobre o convite que recebeu para viajar a Los Angeles, a fim de entrevistar as protagonistas do filme “Wicked”, Cynthia Erivo e Ariana Grande. Também se lembrou com carinho de quando, no fim da adolescência, teve o teatro musical como porta de entrada para descobrir o universo da cultura drag queen, com sua primeira personagem no tablado sendo Margaret Mead, de “Hair”.

Crédito: Jairo Goldflus

Sobre a preparação para viver a diretora da Universidade de Shiz, Madame Morrible nos palcos, contou que, desde o aceite do convite, tudo aconteceu muito rápido, com apenas quatro ensaios. A vantagem foi já ter um conhecimento prévio por ser grande fã da obra, da qual agora também se torna uma peça fundamental. Tendo a diversidade como pauta central da Coletiva, mostrou-se extremamente feliz com a oportunidade de fazer história como a primeira drag queen a interpretar tal papel (já vivido por artistas trans em outras adaptações anteriores).

Ao responder sobre qual bruxa do musical gostaria de interpretar, Daniel / Gloria declarou que, no fundo, todos queremos ser Elphaba, lutando contra um poder corrupto, desafiando os limites que nos são impostos. Mas, que somos Glinda, às vezes mascarando a verdade com um tom de positividade. A união das personagens desenha a intenção da obra, que é lembrar que nem tudo tem só um lado bom ou ruim.

Ainda sobre a questão, Myra falou sobre a bondade de sua personagem e que às vezes gostaria de aconselhá-la a não ser tão ingênua, uma vez que sempre escolhe o perdão em prol de um bem maior. Mas que é justamente essa atitude que faz com que o encontro e a amizade entre Elphaba e Glinda seja algo tão emocionante. Já Karen colocou Elphaba no lugar de alguém extremamente poderoso, mas que deposita sua fé nos outros, em outras coisas e afirmou que cada um de nós tem esse mesmo poder, essa força, porém acabamos depositando nossas expectativas em quem nos cerca.

Em tom bem humorado, Daniel / Gloria confirmou haver várias “Madames Morrible” no meio artístico, na figura de pessoas egocêntricas, verdadeiras “vilãs”, que se mostram como alguém que quer abrir portas, garantir seu futuro, mas escondem segundas intenções relacionadas inteiramente com o bem estar delas mesmas.

Quanto à construção da personagem, há visões próprias de cada um de seus intérpretes: na versão de Karen, uma figura que não deixa a maldade transparecer à primeira vista, chegando a convencer as pessoas ao seu redor de que é alguém confiável. Enquanto Daniel traz um lado mais cartunesco à sua atuação, baseando-se nas origens da vilã no teatro musical e em célebres antagonistas de novelas televisivas.

Crédito: Helen Ribeiro

Para concluir, Daniel falou sobre seu encontro com Stephen Schwartz, responsável pela música e letras da versão do musical para a Broadway e para os longas do cinema. Segundo ele, a validação de seus colegas de palco e do público que vai prestigiar o trabalho de sua drag queen, Gloria Groove, nessas sessões especiais de “Wicked” já muito mais do que suficiente, mas que conversar com o compositor /letrista foi, de fato, a cereja do bolo. E afirmou ter certeza que essa experiência impactará diretamente sua carreira musical, já tão pautada na teatralidade, ressaltando o fato de estar vivendo algo muito coletivo, coisa que normalmente não faz parte de sua rotina como artista solo.

Fechando a Coletiva, Claudio Cavalcanti falou sobre a constante evolução na mensagem que “Wicked” almeja passar a quem consome esse conteúdo. Se, inicialmente, o texto foi pensado como diversidade de raça e uma crítica ao nazismo, fascismo e perseguição aos judeus, agora a realidade é diferente, o que modifica as nuances de seu impacto.

Ao colocar Madame Morrible na posição de Assessora de Imprensa do Mágico de Oz, a personagem torna-se crucial para a expansão da mensagem, uma vez que trata da linguagem, , versão e narrativa que o poder precisa estabelecer para dominar e se estabelecer. E hoje em dia, mais do que nunca, é necessário ter muita responsabilidade com o modo como se lida com a informação nesse mundo moderno.

Os ingressos para as próximas sessões de “Wicked”, incluindo as que terão a presença de Gloria Groove – entre 23 de agosto e 03 de setembro – podem ser adquiridos aqui.

por Angela Debellis

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