Direto da Toca: Resenha do livro “O Horror bate à porta”

Desde muito jovem, desenvolvi franca predileção pelo gênero terror / horror, seja em obras cinematográficas, livros, séries e, mais recente, salas de jogos de fuga (os chamados “Escape Games”).

Com essa premissa, comecei a ler o livro “O Horror bate à porta” com a nítida sensação de que este se tornaria um dos títulos de destaque em minha estante – tanto a mental, quanto a física. E eu estava certa.

Publicada pela Editora Martin Claret, a obra traz 19 contos de diversos autores em seu conteúdo. Nomes icônicos do terror como H. P. Lovecraft (responsável por “A cor do espaço distante”) e Bram Stoker (“O convidado de Drácula”), dividem espaço com outros primorosos autores, que, à primeira vista, me surpreenderam por sua contribuição ao gênero.

São eles, Sir Arthur Conan Doyle (criador das atemporais histórias do detetive Sherlock Holmes e, aqui, autor de “A mão parda” e “O caso de Lady Sannox”) e Charles Dickens – cujo nome costuma ser bastante mencionado em época de final de ano, graças a sua mundialmente conhecida obra “Um Conto de Natal”, e que participa da publicação com três contos: “O manuscrito de um louco” (em minha opinião, um dos melhores da obra), “O quarto das tapeçarias” e “O sinaleiro”.

Entre os assuntos abordados pelos textos, como já era de se esperar, o inexplicável tem local de destaque – seja através da aparição de estranhas criaturas, assombrações ou inclusões de elementos cósmicos. E a qualidade das histórias é tamanha que, mesmo os admiradores dos temas, mais “habituados” a essas composições, deverão sentir certa aflição durante o período de leitura – ainda mais se estiverem sozinhos no momento em que a fizerem (digo por experiência própria).

É absolutamente louvável a competência em se contar algo – seja com riqueza de detalhes ou oferecendo apenas as informações elementares para que o próprio leitor monte sua versão mental detalhada da história – em poucas páginas. Há contos incríveis como “A Coisa Maldita”, de Ambrose Bierce, que são compostos por apenas 12 páginas.

A edição da Martin Claret é impecável e tem um estilo muito elegante. A capa dura rubro-negra, com aplicação de verniz localizado, é tão bonita quanto assustadora. E a pintura trilateral em tom vermelho faz com que o volume torne-se ainda mais imponente.

A tradução realizada por um grupo de profissionais (Alda Porto, Bárbara Guimarães, Paulo Cezar Castanheira et. al.) consegue manter a qualidade dos textos originais e todo estilo marcante das épocas em que foram escritos.

Leitura obrigatória para os fãs do gênero.

Crédito das imagens: Angela Debellis.

por Angela Debellis

Filed in: Direto da Toca, Livros

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