
A partir do dia 13 de março, o Museu da Inclusão recebe a exposição “Pontos de História – 80 anos enxergando além do que se vê”, uma homenagem aos 80 anos da Fundação Dorina Nowill para Cegos.
A mostra propõe uma experiência sensorial única: revisitar trajetórias de pessoas que fizeram e fazem parte da história da Fundação por meio de 13 totens com obras construídas integralmente em braille, cada uma formando uma imagem singular, tão única quanto os personagens que marcaram a existência da instituição.
A escolha do mês de março não é casual. Além de marcar os 80 anos da Fundação, a celebração destaca o protagonismo de Dorina Nowill que, enquanto mulher, construiu uma instituição de impacto social em um contexto em que a atuação feminina na liderança institucional enfrenta inúmeros obstáculos. A programação reforça a reflexão sobre representatividade, igualdade e participação feminina, em diálogo direto com o legado deixado pela fundadora.
A exposição apresenta histórias reais de figuras que marcaram a trajetória da Fundação, entre elas a própria Dorina Nowill, Mauricio de Sousa, a personagem Dorinha, o publicitário Washington Olivetto, responsável pela criação da identidade visual da instituição, além de voluntárias, colaboradoras e seis pessoas atendidas pela Fundação ao longo de seus 80 anos.
O espaço também conta com painéis na parede com a linha do tempo da instituição, fotos históricas e atuais, frases marcantes e um vídeo institucional. Toda a exposição é acompanhada de audiodescrição.
Para o secretário de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marcos da Costa, a exposição representa muito mais do que uma celebração histórica.
“Celebrar os 80 anos da Fundação Dorina Nowill é celebrar décadas de luta por um Brasil mais justo para as pessoas com deficiência visual. Esta exposição honra esse legado de uma forma que só a arte é capaz: tocando, literalmente, quem a experimenta. É uma alegria ver o Museu da Inclusão abrigar uma iniciativa tão alinhada com tudo que acreditamos e trabalhamos para construir”, afirmou.
O conceito da exposição foi criado pela dupla de jovens profissionais Gustavo Gibelli e Vitor Maurilio, por meio do concurso Young Lions Brazil 2025 — uma das principais portas de entrada para talentos que buscam projeção no Cannes Lions Festival, o maior festival criativo do mundo.
Na proposta dos dois criadores, o braille ultrapassa sua função primordial de leitura e se afirma como linguagem estética e narrativa: cada ponto em relevo carrega palavras, afetos e experiências que, juntos, formam imagens únicas. A acessibilidade, aqui, não é recurso complementar, é parte constitutiva da experiência.
Mais do que revisitar o passado, “Pontos de História” afirma o presente e projeta um futuro em que a cultura seja construída a partir da diversidade dos sentidos e das experiências humanas. Cada ponto em braille é também um ponto de resistência, de afeto e de continuidade; histórias que seguem sendo escritas, lidas e sentidas muito além do que se vê.
Além da exposição, haverá o Talk Show da Rede de Leitura Inclusiva, um encontro especial que integra o III Encontro Nacional da Rede de Leitura Inclusiva e reúne mulheres que atuam pela transformação social em diferentes campos.
A programação, que vai das 8h30 às 12h30, inclui depoimentos, homenagens, registros históricos e uma conversa mediada por Marta Nowill, atriz e neta de Dona Dorina, com convidadas como a velejadora e escritora Heloisa Schurmann, as escritoras Iris Figueiredo e Majori Silva, e Regina Caldeira, assessora institucional Braille da Fundação e uma de suas colaboradoras mais antigas.
Serviço:
Exposição: Pontos de História – 80 anos enxergando além do que se vê
Museu da Inclusão – Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência
Avenida Mário de Andrade, 564, Barra Funda, São Paulo/SP
Abertura oficial: 13 de março às 8h30. Período: 13 de março a 08 de maio. Visitação: segunda a sexta-feira, das 10h às 17h
Entrada gratuita
da Redação A Toupeira


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