Crítica: “Armas em Jogo”

Antes mesmo de “Armas em Jogo” (Guns Akimbo) chegar aos cinemas brasileiros, as redes sociais já estavam infestadas de memes de Daniel Radcliffe com armas parafusadas nas mãos e uma cara de desespero, dando vida ao personagem Miles.

O filme de Jason Lei Howden, é, no mínimo, excêntrico. Somos conduzidos pela história por meio do relato de Miles que conta ao espectador como foi o pior dia de sua vida.

O protagonista tem uma vida relativamente comum: o jovem nerd insatisfeito com o emprego, que acabou de levar um fora da namorada e que sofre bullying no trabalho. Miles está completamente insatisfeito com o rumo que as coisas tomaram, e encontra na internet o lugar que procurava para extravasar.

Totalmente contra violência no mundo real, nosso “herói” passa as horas vagas assistindo a pessoas em combates que perduram até a morte de uma das partes envolvidas, em uma plataforma chamada SKINZ. É ali que o jovem inofensivo se torna uma máquina que destila ódio, nada mais que ofensas verbais.

Podemos observar uma crítica direta a nossa sociedade atual em que uma parcela das pessoas vive uma realidade virtual que dificilmente é sustentada fora do meio cibernético.

O que Miles não esperava era que ao compartilhar hate na Internet, fosse se envolver com os organizadores do SKINZ, e que seria obrigado a lutar por sua vida com a competidora mais eficiente do “game”, Nix (Samara Weaving).

Diferente do rapaz, Nix é uma oponente implacável que luta apenas em causa própria e espera que esta seja sua última batalha e que, a partir desta vitória (que já era certa) consiga sair do esquema com a ficha limpa com a polícia, que a persegue incessantemente.

O longa escrito e dirigido por Jason Lei Howden possui um roteiro simples, toda a história é narrada pelo protagonista, e mesmo que haja uma tentativa de surpreender, a trama é bem previsível. Um ponto positivo é que o mix de ação e comédia foi bem equilibrado, os alívios cômicos foram bem trabalhados.

A atuação de Daniel Radcliffe também foi dentro do esperado, afinal ele é um talento promissor e mesmo marcado como a cara de um dos bruxos mais famosos de todos os tempos na cultura pop, vem trabalhando em produções bem interessantes desde que se aposentou da franquia de “Harry Potter”. É o caso de “A Mulher de Preto”, em 2012 e “Truque de mestre 2: O Segundo Ato”, em 2016.

E sim, Miles passa quase toda a narrativa com as armas parafusadas nas mãos (o que  pode causar uma aflição extrema aos mais sensíveis). O fato lembra propositalmente videogames que são febre mundialmente e jogados em primeira pessoa, onde qualquer um pode se tornar o poderoso, o cara que decide quem vive ou morre.

Vale lembrar que “Armas em Jogo” fez sua estreia mundial no Festival de Toronto em 2019 e chega aos cinemas com distribuição Cinecolor do Brasil.

Um filme excitante, não rendeu apenas ótimos memes de Radcliffe. Confira!

por Carla Mendes – especial para A Toupeira

*Título assistido via streaming, a convite da Cinecolor do Brasil.

Filed in: Cinema

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