Crítica: “Compra-me um Revólver”

Quando o diretor Júlio Hernández Cordón, mencionou que para produzir “Compra-me um Revólver” (Cómprame um Revolver) se inspirou em clássicos que marcaram sua infância como: o filme “Mad Max”; o romance de Mark Twain “As Aventuras de Huckleberry Finn” e a história de “Os Garotos Perdidos de Peter Pan”, criamos uma série de expectativas.

Entretanto, por mais que seja possível captar referências explícitas das obras citadas por Córdon e até de “Star Wars” por exemplo, o longa não é o que podemos chamar de cativante.

O filme é protagonizado por Matilde Hernandez, interpretando a garotinha Huck e por Ángel Leonel Corral que faz o papel do pai dependente químico e empregado da facção criminosa que comanda o lugar.

A narrativa se passa em algum lugar do México em que a lei é imposta por traficantes, e que as mulheres do local desapareceram, as poucas crianças que restaram ficam presas em gaiolas e são submetidas a torturas físicas e psicológicas.

O pai de Huck é responsável pela manutenção de um campo de baseball utilizado pelo grupo de criminoso, e faz com que a garota faça maior parte das tarefas de manutenção. Enquanto ela trabalha acorrentada, utilizando uma máscara e com roupas que geralmente são usadas por meninos, seu pai usa drogas e interage com os homens que vão ao local para se divertir.

O drama possui diversas cenas de violência física e psicológicas fortíssimas, em alguns casos é necessário ter o estômago forte. Há também o retrato da miséria, a família de Huck, composta por ela e seu pai vive em um trailer e mal possui o que comer. Há garotos que vivem escondidos em arbustos próximos ao campo que estão sempre sujos e já se veem como soldados, prontos para o combate.

Um ponto positivo é o retrato do amor paterno, por meio da força que o pai tem. O homem luta incansavelmente para proteger o segredo de sua filha – todos pensam que Huck é um menino – para mantê-la viva e com ele, afinal o homem não se recuperou de terem levado sua esposa e a outra filha, irmã mais velha de Huck.

“Compra-me um Revólver”, que foi exibido pela primeira vez no Festival de Cannes em 2018, é um filme com críticas sociais extremas que não se aplicam somente ao seu país de origem, e apresenta uma realidade fictícia ou nem tão fictícia assim. Os elementos que compõe o roteiro são dotados de excessos e parênteses que em sua maioria são abertos, porém não são fechados. Recomendado para espectadores que buscam uma história triste, que muito provavelmente não terá um final feliz.

por Carla Mendes – especial para A Toupeira

Filed in: Cinema

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