Crítica: “Dolittle”

Quem tem o privilégio de conviver, ou pelo menos ter algum tipo de contato direto com animais, sabe o quanto é imensa a vontade que existe em entendê-los – embora, sem dúvidas, haja uma comunicação não verbal incrível entre os humanos e várias outras espécies da natureza.

Dirigido e roteirizado por Stephen Gaghan, “Dolittle” (Dolittle) tem vários personagens dividindo o protagonismo. Pelo lado dos humanos, Robert Downey Jr. dá vida a Dr. John Dolittle, que possui o dom de conversar com os animais, enquanto Harry Collett interpreta Tommy Stubbins, jovem nascido em uma família de caçadores, que não tem a menor vocação para a caça e almeja ser aprendiz do veterinário.

Pelo lado dos animais, basta dizer que o estelar elenco de dubladores conta com nomes como Octavia Spencer, Ralph Fiennes, Selena Gomez e Marion Cottilard, entre outras várias estrelas do cinema.

Na trama, após a perda de sua esposa e companheira de aventuras, a exploradora Lily (Kasia Smutniak), Dolittle torna-se um homem que não crê mais na possibilidade de ser feliz e decide isolar-se do mundo exterior, tendo por companhia, apenas seus queridos animais resgatados de missões anteriores, cada um com uma peculiaridade própria.

Seu braço direito (ou seria asa?) é Polly (voz de Emma Thompson), uma belíssima arara que o auxilia como uma eficiente secretária / melhor amiga e que sabe falar “humanês”, podendo comunicar-se com outras pessoas além do veterinário. E é ao lado dela e de outros amigos – entre eles, o gorila com baixa autoestima, Che-Che (voz de Rami Malek), o urso polar que está sempre com frio, Yoshi (voz de John Cena), o perspicaz cachorro Jip (voz de Tom Holland), que ele terá que optar entre seguir seus princípios há tempos deixados de lado ou virar as costas a quem precisa de socorro.

Quando a Rainha da Inglaterra, Victoria (Jessie Buckley) adoece gravemente, caberá a Dolittle e sua equipe animal – literalmente – encontrar a única coisa capaz de devolver-lhe a saúde imediata: o fruto da Árvore do Éden, até este ponto, dado apenas como parte da imaginação de pesquisadores prévios, incluindo Lily.

Para isso, ele terá que enfrentar os perigos oferecidos por Dr. Blair Müdfly (Michael Sheen), rival da época de estudos; Rei Rassouli (Antonio Banderas), seu ex-sogro; e Thomas Badgley (Jim Broadbent), Lorde de índole questionável que terá muito a lucrar com a morte da Rainha.

O longa é totalmente adorável. A cada interação entre o veterano Dolittle, o jovem Stubbins e os animais – moradores do Santuário ou habitantes dos cenários cruzados pelos personagens – aumenta a vontade de ter tal habilidade incrível, ainda mais quando fica claro que, muitas vezes, seres de outras espécies têm muito mais a dizer do que elementos da nossa própria.

Com a vigilância (justa, diga-se de passagem) cada vez maior em relação ao uso de animais reais em qualquer ramo do entretenimento, a opção por criar todos em CGI foi bastante sensata. Embora existam momentos em que não há total convencimento de sua existência, estes logo dão espaço a outros em que é fácil deixar a imaginação e a crença pura tomaram conta, quando passamos a acreditar na possibilidade de entender o que uma pequena libélula ou uma gigantesca baleia querem dizer através de seus sons, inteligíveis aos ouvidos humanos.

Tendo personagens marcantes em sua carreira, como Sherlock Holmes, Chaplin e Tony Stark / Homem de Ferro, poderia ser difícil desvincular o rosto de Robert Downey Jr. destas figuras, mas, tão logo ele surge em cena, percebemos que, felizmente, John Dolittle será mais um nome de peso a se acrescentar a essa bem servida lista.

Com uma narrativa simples e de fácil entendimento por crianças menores, o longa tem tudo para agradar principalmente esse público, mas qualquer pessoa que saiba da importância dos animais em nossas vidas deverá se sentir abraçada pelo resultado entregue pela produção.

Corra/ voe/ nade/ pule para os cinemas!

por Angela Debellis

*Filme assistido durante Cabine de Imprensa promovida pela Universal Pictures.

Filed in: Cinema

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