“Quando você desaba, é a sua chance de se reerguer”
Eu sou apaixonada por lembranças de infância. Sobretudo, pelas que me trazem recordações do início de minha (agora já um tanto quanto extensa) jornada como fã de produções que seguem vivas em minha mente e coração.
Quando o desenho animado “He-Man e os Defensores do Universo” chegou ao Brasil, em 1984, ele se tornou obrigatório em minha rotina. Nada de ir para a escola antes do conselho dado ao final de cada episódio (e, na medida do possível, seguir as orientações de personagens tão queridos).
Depois de um live action bem duvidoso (mas, que reinou soberano por muito tempo), lançado em 1987, com Dolph Lundgren como protagonista e de outras animações televisivas cuja qualidade oscilou bastantes, chegou a hora do Campeão de Grayskull ganhar uma nova chance nas telonas.
Meu temor foi dissipado logo no início de “Mestres do Universo” (Masters of the Universe), longa dirigido por Travis Knight, ao ver o adorável Pacato ocupando o lugar do icônico leão do logotipo da MGM. Algo me dizia que esse era o primeiro sinal de que uma experiância épica estava por vir.
A trama escrita por Chris Butler, Aaron Nee, Adam Nee e Dave Callaham começa no mundo de Eternia (bem distante daqui…) e mostra o Príncipe Adam (nessa fase, vivido por Artie Wilkinson-Hunt), aos 10 anos, lutando para se tornar um guerreiro digno diante dos olhos de seu pai, Rei Randor (James Purefoy) e de Ducan, o Mentor do Reino (Idris Elba).
A fragilidade de seu corpo e a dificuldade em manter-se atento durante os treinamentos fazem com que o herdeiro do trono seja motivo de piada entre as outras crianças. Apenas a jovem Teela (Eire Farrell) o respeita e mantém-se ao seu lado como amiga leal.
Mas, a aparente calmaria da cidade de Eternos está prestes a acabar, uma vez que o vilão mais sarcástico e cínico da cultura pop tenciona descobrir os segredos do Castelo de Grayskull (planeja mil trapaças, nunca vai desistir…) e dominar tudo à sua volta. Para isso, Esqueleto (Jared Leto) necessita de um artefato muito especial: A Espada do Poder.
Temendo pelo futuro de todos, a Rainha Marlena (Charlotte Riley) e a Feiticeira de Eternia, Zoar (Morena Baccarin) tomam a difícil decisão de mandar Adam para a Terra, onde ficará por longos 15 anos em Oklahoma City (agora interpretado por Nicholas Galitzine), antes de voltar a seu planeta natal, para reivindicar o título de guardião que sempre lhe pertenceu.
Minha maior apreensão quanto a este filme era a possibilidade da narrativa passar muito tempo focada em nosso lindo planeta azul. Mas, para alegria da pequena Angela que vive bem protegida em meu coração, é em Eternia que a maior parte da ação acontece.
Embora complicada, a missão de Adam é aliviada pela presença de Mentor, Teela (Camila Mendes, na fase adulta) e Roboto (voz de Kristen Wiig). O grupo tem o auxílio de outras figuras icônicas da animação, como Ariete (Jon Xue Zhang), Fisto (Jóhannes Haukur Jóhannesson) e Mekaneck (James Wilkinson), com suas características peculiares e disposição para a batalha.
Do lado dos vilões, o poderio de Esqueleto é inegável, mas seu fiel séquito merece ser exaltado, com Mandíbula (Sam C. Wilson), Maligna (Alison Brie) e Homem-Fera (Gary Martin) assumindo posições de destaque entre os seguidores do vilão que não tem pudor em assumir sua predileção pelo mal.
Na luta pela paz, um guardião vai surgir… E, entre raios e trovões, nasce um campeão (nas palavras de seu oponente: “Musculoso, de tanguinha, bronzeado, espada grande e brilhante”). He-Man (Nicholas Galitzine) aparece de um jeito ainda mais grandioso do que eu esperava e me fez celebrar o visível respeito com que a mitologia do personagem foi colocada em tela.
Há tanto a se destacar na obra: a recriação primorosa de Eternia; os diversos acenos aos fãs que cresceram acompanhando essas aventuras fantásticas e levando seus ensinamentos para a vida; o cuidado em manter acesa a chama da fantasia, sem que qualquer temor do ridículo ou exagerado pudesse limitar a imaginação da equipe criativa. E, é claro, a graciosa participação de Pacato / Gato Guerreiro (Fletcher Glenn, quando filhote; Tom Wilton, na fase adulta), um de meus favoritos de sempre.
Além de fazer alusão a memes virais, a trilha sonora original composta por Daniel Pemberton, se destaca pela faixa “Eternia”, na qual é possível ouvir um brilhante solo de guitarra de Brian May. Também há o acréscimo de uma das melhores canções do Queen – bem adequada à ocasião – “Princess of the Universe” (que já fez história em outra produção icônica, “Highlander”, em 1986).
Mesmo com meu amor por He-Man e seus amigos tão forte quanto na época em que ficava vidrada em frente ao aparelho de TV de 20 polegadas, na sala de estar da casa onde nasci, não podia imaginar que, em pleno 2026, uma nova versão de “Mestres do Universo” conquistaria um lugar entre minhas melhores lembranças. Talvez esse seja o real significado de “Eu tenho a Força”.
*Lembrando que há três cenas adicionais (totalmente incríveis!). Então, aproveite a viagem até o acender das luzes da sala de cinema. E, para os saudosos de plantão, a dica é assistir à versão dublada e aproveitar para curtir a voz de Garcia Júnior, que volta ao papel duplo de Príncipe Adam / He-Man.
por Angela Debellis
*Título assistido em Pré-Estreia promovida pela Sony Pictures.


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