Crítica: “Histórias Assustadoras para contar no Escuro”

Os acordes de “Season of the Witch”, do cantor escocês Donovan, embalam a sequência inicial de “Histórias Assustadoras para contar no Escuro” (Scary Stories to tell in the Dark) – adaptação cinematográfica baseada na trilogia homônima escrita por Alvin Schwartz e ilustrada por Stephen Gammell – e ajudam a nos apresentar a trama passada em 1968 na pequena cidade de Mill Valley, apropriadamente na época de Halloween.

Stella (Zoe Margaret Coletti), Auggie (Gabriel Rush) e Chuck (Austin Zajur) são três adolescentes pouco populares em seu círculo social que decidem se vingar do valentão da escola, Tommy (Austin Abrams) através de uma pegadinha escatológica. A consequente fuga após o ato faz com que conheçam o jovem mexicano Ramón (Michael Garza) e os coloque na confusão também.

Mas a noite de Halloween ainda não acabou, e o agora quarteto acha uma boa ideia entrar em uma casa abandonada (e supostamente mal-assombrada). No local, vivia uma influente família cujos membros desapareceram de maneira misteriosa, após o suposto suicídio de sua filha mais nova, Sarah Bellows (Kathleen Pollard), 70 anos atrás, acusada pelo sumiço – e mortes – de várias crianças.

Como todo bom imóvel do gênero, é claro que a casa tem a famigerada passagem secreta, onde encontram o livro no qual Sarah escrevia histórias de terror. Mas o que parecia apenas um passatempo inofensivo, para alguém que era mantida em cativeiro pela própria família (por motivos execráveis descobertos ao longo do enredo), mostra-se algo muito mais perigoso e mortal.

Conforme visto no trailer oficial, os textos escritos por Sarah se tornam reais e os nomes citados em cada um acabam se tornando vítimas de seus próprios medos, uma vez que cada narrativa implica na inclusão do que for mais aterrorizante para seu protagonista, seja uma fobia grave ou uma lenda urbana.

Ainda que os personagens sobrenaturais tenham sido apresentados em pôsteres e vídeos divulgados antes da estreia nos cinemas, o interesse por eles consegue manter-se intocado, já que agora temos acesso ao conteúdo de cada uma de suas próprias histórias e o impacto causado por elas consegue ser tão diferente quanto eficaz.

O longa dirigido por André Øvredal não apela para sustos fáceis ou para o uso de artefatos explícitos – então, esqueça sequências do gênero gore com seus exageros. O que vemos são cenas bem construídas, nas quais são os pequenos detalhes que têm a função de prender a atenção, causar repulsa ou chocar o espectador – e, acredite: eles conseguem fazer exatamente isso.

Para quem conhece o trabalho prévio de Guillermo del Toro, fica fácil perceber que ele é um dos roteiristas e produtores do filme. Há uma essência própria de suas obras, o que significa que existe uma visível preocupação com a técnica e o produto final que chega às telas.

Encare seus medos e corra para os cinemas.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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