Crítica: “Hotel Artemis”

Até pouco tempo, filmes que mostram realidades pós-apocalípticas e / ou distópicas  chegavam ao público com tramas normalmente passadas em um futuro distante. “Hotel Artemis” ousa ao mostrar um tempo bem mais próximo, afinal, a trama se passa daqui a 10 anos apenas, na Califórnia de 2028.

Como cenário praticamente único, o tal hotel que dá título à produção traz uma gama de contradições consigo, que vão do fato de ser uma construção completamente ativa em seu interior, enquanto a fachada mostra mais um prédio desolado em meio ao caos que se instaurou no mundo; do fato de ser uma espécie de hospital ‘modelo’, enquanto seus pacientes / clientes representam a faixa menos ‘nobre’ da sociedade (entenda-se os fora-da-lei, sejam assassinos profissionais, traficantes de armas ou gângsteres considerados chefes  supremos desse universo à margem do coletivo).

Quem gerencia o local é Nurse (Jodie Foster, bastante envelhecida para o papel que marca seu retorno às telas após cinco anos), que em tradução literal significa “Enfermeira”. No decorrer da trama, ficamos sabendo de sua triste história pregressa – que envolve a morte prematura do filho único e consequente vício em álcool. Contando com a ajuda do pouco comunicativo, porém bastante forte fisicamente, Everest (Dave Bautista), ela define quem terá direito ao tratamento oferecido no Hotel / Hospital.

Para ter acesso ao prédio, há uma série de regras – mais uma contradição, já que são justamente os que não acatam as leis, que precisam obedecer ao rígido regulamento de uma espécie de “convênio”: eles pagam para o criminoso mor da cidade, conhecido como Rei Lobo (Jeff Goldblum), ele mantém funcionando esse pronto – socorro de alta tecnologia com direito a férias.

O vai e vem de mais um dia típico no Hotel Artemis (talvez nem tão típico assim) é o que dá forma ao roteiro. São histórias aparentemente individuais, mas que de alguma maneira acabam se cruzando em algum momento. Com boas interpretações, Sofia Boutella, Sterling K. Brown (emplacando duas estreias no mesmo dia, já que também faz parte do elenco de “O Predador”) e Charlie Day conseguem ter seus momentos destaque apesar da trama majoritariamente coletiva.

Não há grandes reviravoltas ou surpresas e, após certo tempo, é até fácil prever o que vai acontecer, mas isso não chega a ser um problema, afinal, por mais que algumas conclusões pareçam levar a lugares óbvios, é interessante vê-las na tela, graças ao bom trabalho de Drew Pearce, neste que é seu primeiro trabalho como diretor – além de também ser roteirista da produção.

Vale ressaltar que algumas cenas são bem explícitas e quem se sente desconfortável com procedimentos médicos ou com a visualização de sangue pode ficar incomodado com a opção por apresentá-los de modo natural, porém sem nenhuma preocupação em diminuir seu impacto.

Ao término da sessão, “Hotel Artemis” se mostra um filme envolvente e com a capacidade de manter o espectador interessado até seus momentos finais.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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