Crítica: “Maligno”

Embora terror seja um de meus tipos de filmes favoritos, a falta de criatividade que parece ter se tornado banal e constante para os títulos do gênero talvez seja o que mais assusta nas produções atuais.

Quando vi o material de divulgação de “Maligno” (The Prodigy), tive a impressão de que seria mais um – entre tantos – longas com a proposta de mostrar uma criança inocente sendo possuída por alguma entidade do mal. O tema pode manter-se como um dos mais populares entre os fãs, mas é impossível negar o fato de que o mercado está, há tempos, saturado de tramas semelhantes.

Conforme a narrativa se desenrolava em tela, percebi que algo mais se escondia por trás da história do garoto Miles (Jackson Robert Scott, já “veterano do terror”, por suas participações na terceira temporada da série “Fear The Walking Dead” e da adaptação cinematográfica do livro “IT – A Coisa”). A visível transição entre as personalidades do protagonista é um dos grandes trunfos: ora ele tem o olhar inocente da criança que realmente é, ora uma expressão que, mesmo em momentos de silêncio, já é o bastante para causar incômodo.

O menino é fruto do casamento de Sarah (Taylor Schilling) e John Blume (Peter Mooney), que por muito tempo lutaram para serem pais.  A vida da família é tão rotineira quanto agradável, até que Miles começa a apresentar estranhos comportamentos – inicialmente creditados ao fato dele ter um QI muito acima da média para sua idade (o que o torna “O Prodígio” do título original), passando pela suspeita de alguma deficiência mental e até mesmo abusos familiares.

A agressividade evidente do menino faz com que ninguém esteja seguro por completo ao seu lado e, mais do que apenas subjugar o espectador com sustos fáceis e proposta rasa, o longa dirigido por Nicholas McCarthy acaba ganhando contornos mais complexos ao tratar – através do suspense  e do terror psicológico – do perigoso caos que passa a ocupar a residência e o cotidiano dos Blume.

As interpretações de todo elenco são bem convincentes, mas o merecido destaque vai para uma cena já mostrada em partes no trailer oficial do longa, quando Miles está no meio de uma sessão de hipnose com Arthur Jacobson (Colm Feore), renomado estudioso de casos de possessão. A tensão na sequência torna-se um elemento a mais e faz com que o público consiga sentir-se quase tão perturbado quanto os personagens que fazem parte da produção.

O grande mérito de “Maligno” é ter conseguido entregar um trabalho satisfatório, mesmo fazendo uso de elementos sem ineditismo. E, ao sair da sessão, é bem provável que a frase de divulgação (Tem algo errado com Miles) vista no pôster nacional faça ainda mais sentido.

Vale conferir.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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