Crítica: “O Mistério de Frankenstein”

O conto gótico Frankenstein da autora Mary Shelley pode ser considerado uma das histórias mais importantes e influentes para a literatura de terror. Esse aclamado livro já recebeu diversas adaptações em diferentes mídias, com as mais variadas abordagens.

Com isso em mente, é seguro dizer que o filme “O Mistério de Frankenstein” (Frankenstein by Costa Zapas) do diretor grego Costas Zapas é uma das narrativas mais criativas que já foram adaptadas para o audiovisual desse conto. Entretanto, ele conta com uma narrativa lenta que nos faz devagar antes da solução dos mistérios que a trama propõe.

Na história acompanhamos uma jovem repórter sem nome (Elli Tsitsipa), que está determinada a investigar um estranho grupo de teatro que chega à cidade com o propósito de interpretar o clássico do terror Frankenstein.

Conforme suas investigações avançam, a personagem se vê mais perto da terrível verdade que assola esse grupo e como esse mistério está relacionado aos pesadelos aterradores que a protagonista vem tendo.

A fotografia pouco convencional do filme reforça a sensação de que estamos diante de uma obra antiga. Esse elemento em conjunto com o figurino e a estética de alguns atores lembra em muitos momentos os títulos clássicos do Expressionismo Alemão. Apesar de apresentar um visual bem interessante, essa característica talvez cause estranhamento em espectadores acostumados com a estética usual de produções de terror e suspense norte americanas.

Toda a construção da narrativa do longa remete a uma peça de teatro – esse fator se aplica também às atuações -, mas no contexto desse filme em específico, esse fato não é um demérito, pelo contrário, ele trabalha de forma sinérgica com a fotografia para criar uma experiência surreal, que combina perfeitamente com a ambientação da trama.

Apesar dos efeitos visuais serem bem interessantes, a realização de vários parece muito amadora, a maquiagem das criaturas e os efeitos de sombra em muitos momentos nos tiram da imersão na história. Esse “amadorismo” parece ser proposital para integrar a estética teatral empregada no longa, porém, infelizmente, atrapalha a imersão da história em alguns momentos.

Ainda que tenha uma narrativa lenta, “O Mistério de Frankenstein” (que está disponível no Cinema Virtual) é um suspense bem intrigante e interessante, com uma abordagem que lembra muito algumas obras do aclamado cineasta Lars Von Trier. Ótima opção para quem quer se afastar um pouco dos filmes de terror formulaicos que Hollywood vem lançando nos últimos anos e experimentar um horror mais investigativo, fazendo uma verdadeira homenagem às obras teatrais, que tanto influenciaram o cinema.

por Marcel Melinski – especial para A Toupeira

*Título assistido via streaming a convite da Encripta.

Filed in: BD, DVD, Digital

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