Crítica: “Tolkien”

Certos autores, ao longo de sua trajetória, tornam-se referências primordiais quando o assunto são os temas que regem seu trabalho. No caso do gênero de literatura fantástica, ainda que não haja pré-disposição ou mesmo simpatia inata por suas obras, é quase impossível não associar a ele o nome de John Ronald Reuel Tolkien (conhecido como J. R. R. Tolkien), criador da saga de “O Senhor dos Anéis”.

A vida do autor – quando ainda as ideias que se tornariam magníficas realizações no papel (e posteriormente premiadas adaptações cinematográficas) eram apenas fugazes rascunhos – mas já acalentadores anseios – é o que a cinebiografia que carrega seu nome visa retratar.

Orfão ainda muito jovem (neste período interpretado por Harry Gilby), Tolkien é encaminhado junto a seu irmão mais novo à residência de uma proeminente senhora – a pedido do reverendo local, Padre Francis (Colm Meaney) – que tem por hábito abrigar crianças / adolescentes nesta mesma situação, a fim de lhes dar a possibilidade de terem bons estudos, coisa que seria impraticável caso se mantivessem em suas rotinas.

Graças a essa oportunidade, o rapaz (agora interpretado por Nicholas Hoult) passa a frequentar um respeitado colégio, onde conhece três rapazes bem mais abastados: Geoffrey Smith, Robert Gilson e Christopher Wiseman (Anthony Boyle, Patrick Gibson e Tom Glyyn-Carney, respectivamente), com quem firma uma duradoura e inesperada amizade – e que supostamente mais tarde viria a ser a inspiração para a criação da icônica Irmandade do Anel.

Ao mesmo tempo em que firma laços com esse clã de amigos, o protagonista consegue descobrir o amor ao se apaixonar por aquela que seria sua esposa de vida inteira: Edith Bratt (Lily Collins), que vive na mesma residência da rica senhora – para quem trabalha como uma espécie de aia / dama de honra.

Ao ser aprovado em Oxford, Tolkien parece ter encontrado seu caminho ao começar a trazer à tona as delicadas simbologias por trás de todo universo imaginado por ele em suas histórias. Da criação de um idioma – e todas as suas ramificações – à aparência de aclamados personagens, tudo ganha formas iniciais que são interrompidas de forma brusca com a convocação do protagonista para lutar na Primeira Guerra Mundial.

Através de lembranças enquanto sofre com as terríveis complicações da chama “Febre das Trincheiras”, sua história é contada de maneira singela e sem pretensões grandiosas como as obras amplamente lembradas pelas premiações de cinema. Mas, ainda assim, para os fãs, é um imenso presente encontrar detalhes que rementem à saga literária, seja na inusitada forma tomada pela fumaça de uma bomba ou pela escolha do nome Terra Média.

Ainda que a realidade costume ser bem menos atrativa do que a ficção em quase sua totalidade, cabe dizer o quão encantadora é a execução desta biografia. Como um dos destaques, a cena passada nos bastidores de uma apresentação de “O Anel dos Nibelungos”, do compositor alemão Richard Wagner, que também seria tão importante para a construção da obra de Tolkien. Certas satisfações, nenhum dinheiro no mundo é suficiente para comprar.

Dirigido por Dome KaruKoski, “Tolkien” é uma eficiente prova de que incríveis e muito louváveis experiências podem começar nos lugares e situações mais incomuns e graciosos, como em uma toca no chão onde vivia um hobbit.

Imperdível.

por Angela Debellis

Filed in: Cinema

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