Direto da Toca: Fomos à Press Junket de “A Odisseia dos Tontos”

Aconteceu na tarde de hoje, 29 de outubro, a Press Junket de “A Odisseia dos Tontos” (La Odissea de los Giles). O longa é o candidato argentino a uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2020. Se ele estará entre os cinco finalistas, saberemos em 13 de janeiro, quando sai a lista de quem vai concorrer à estatueta.

Estiveram presentes no evento o diretor Sebastian Borensztein e o produtor Federico Posternak que falaram sobre a produção que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 31 de outubro (data em que você confere nossa Crítica Completa), com distribuição da Warner Bros. Pictures.

Sebastian afirmou que a história que se conta no filme aconteceu em muitos lugares: a crise de 2008, de Lehman Brothers, que caiu e tirou poupanças de todos. Ninguém em nenhuma parte do mundo é ingênuo com as instituições, todos estão descontentes com governos, bancos, então quando uma pessoa normal vê que oito, nove, “tontos” como esses personagens conseguem levar para adiante um plano para defender algo que lhes pertence, se produz uma sensação muito gratificante.

Sobre a responsabilidade social de um filme sobre o público que acompanha sua narrativa, Sebastian foi enfático ao dizer que o cinema é o lugar perfeito para o espectador fazer o que não pode na vida real, que na tela é normal a vingança do sangue derramado. O cinema não tem que ser politicamente correto, nem tem que se justo com a lei, para isso está a vida de todos os dias.

Também confessou estar honrado com a indicação da obra como representante de seu país na pré-escolha dos candidatos aos Oscar, assim como afirmou, apesar da empolgação, ser bastante racional quanto às expectativas que tal fato possa levantar, afinal, esta primeira lista é composta por 93 filmes do mundo inteiro, com assuntos distintos e que é difícil fazer uma previsão do que pode acontecer quanto à escolha dos membros da Academia.

O diretor contou que, ao terminar de ler o livro “La Noche de La Usina”, no qual a produção é baseada, estava certo de ter um bom material para filme em mãos, pois a história é muito atrativa e os personagens adoráveis, que todo processo de compra de direitos por Ricardo e Chino Darín (que também fazem parte do elenco principal, assim como da lista de produtores) foi rápido e simples.

Federico Posternak , além de também elogiar a história, disse que a visão que tinham era de já iniciar o longa com quatro coisas positivas: o texto, o diretor e os atores Ricardo e Chino (pai e filho na vida real) trabalhando juntos.

Quando questionado sobre o processo de adaptação do livro de Eduardo Sacheri (que teve outra obra sua – “O Segredo dos seus olhos” – adaptada com sucesso para os cinemas), Sebastian disse que foi um processo muito complexo, porque o livro tem muito prestígio, sendo inclusive ganhador, em 2016, do prêmio Alfaguara, o mais importante para uma obra comercial na Espanha. Foram dois anos de trabalho para criar algo que respeitasse a história e os personagens, mas ainda assim, tivesse um ponto de vista diferente, porque a estrutura mudou por completo nas telas.

Sobre como foi transformar um drama vivido de perto por eles com a crise argentina em 2001, em uma comédia (mesmo com traços e momentos dramáticos em partes do roteiro), o diretor falou que a distância de 17 anos entre os fatos e as filmagens que aconteceram em 2018 é suficiente para que conseguissem rir de algo. Também afirmou que a melhor forma de forma de processar essa dor econômica e social é através do humor, colocado no meio de uma tragédia coletiva, mas também pessoal (já que o personagem de Ricardo Darín sofre uma perda individual). Sem humor, esta história seria impossível de ser contada.

Por fim, perguntamos como a dupla vê a situação do cinema argentino, Sebastian declarou que nos últimos quatro anos a situação tornou-se muito ruim, que não há incentivos à produção, além do fato de haver uma mudança no hábito de consumo do conteúdo.

Já Federico completou que esse desinteresse produziu um dano aos pequenos produtores, que são sempre os que se danificam rapidamente, quando as políticas de ajudas e de subsídios não fluem da mesma maneira. Quanto à mudança no consumo, disse que na Argentina se faz muito cinema e que é muito difícil que tudo seja assistido – fato agravado pela concorrência de filmes blockbusters americanos e até mesmo com a estreia de tantas séries em plataformas de streaming.

Crédito das fotos: Cauê Diniz.

por Tomás Allen – especial para A Toupeira

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