Resenha: “Jeremias – Pele”

Foi-se o tempo em que histórias em quadrinhos – as populares HQ’s – eram tidas como apenas uma corriqueiro passatempo infantil. Hoje já não é raro encontrar leitores de todas as idades que acompanham as mais diversas aventuras de seus personagens favoritos no papel.

E foi para acompanhar essa evolução do público que surgiu a Graphic MSP, que através de suas lindas graphic novels consegue trazer uma nova visão das aclamadas criações de Mauricio de Sousa.

Em sua 18ª edição, e depois colocar vários integrantes da Turma da Mônica em aventuras inéditas, chegou a hora de trazer à luz a trajetória de um garotinho encantador, que sente na pele (literalmente) as consequências de uma das coisas mais inaceitáveis, mas que ainda é tão recorrente em nossa sociedade: o racismo.

Quem nos conduz dentro da triste / necessária narrativa de “Jeremias – Pele”, lançamento da Panini Comics, é a dupla formada pelo roteirista Rafael Calça e pelo desenhista Jefferson Costa, que conseguiu encontrar aquele ponto exato entre a dor e a indignação, no qual reside a esperança de que o dia de amanhã será melhor de alguma maneira.

Jeremias é um personagem adorável, que tem em sua família a base sólida com a qual muitos não conseguem contar durante a vida. Sua relação com os pais e com o avô materno – de quem herdou sua icônica boina vermelha – é uma das coisas mais comoventes que li nos últimos tempos.

E é justamente essa força familiar  que servirá de amparo para o menino, quando este perceber que há pessoas que julgam ter “algo errado” com ele, por causa da cor de sua pele. Quando o racismo bate à porta, é dura a missão de não permitir sua entrada, quase sempre inesperada. Ainda mais que, sorrateiro, ele pode chegar sob a falsa imagem de um amigo de escola / trabalho, de uma pessoa em quem se julgava poder confiar.

A experiência promovida pelo texto e pelas ilustrações é daquelas que nos prende desde a primeira página. Confesso que li a edição de uma só vez, mas com direito a vários pequeninos intervalos para enxugar as lágrimas que começaram a cair sem que nem mesmo eu me desse conta. Que vontade de abraçar Jeremias e dizer que tudo vai ficar bem, que o mundo é bom, apesar de tudo, apesar de tantos.

Para completar, o sempre genial prefácio escrito por Mauricio de Sousa afirma que esta é uma história que precisava ser contada, e eu concordo plenamente com isso. E o texto da quarta capa, assinado pelo rapper Emicida é tão pungente quanto fundamental.

Toda hora parece certa para a chegada de algo que toca nossa alma. Que “Jeremias – Pele” consiga abrir muitos olhos e corações. E que, para o personagem, este seja “apenas” o início de uma jornada que não será tão fácil quanto poderia, mas que há de ser tão brilhante quanto ele merece.

por Angela Debellis

Filed in: Quadrinhos

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