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Crítica: “Invocação do Mal 4: O Último Ritual”

Minha história com os Warren (não, eu não os conheci pessoalmente, mas assisti a uma ótima palestra ministrada por seu neto Chris Mckinnell) foi sendo escrita aos poucos, conforme aconteceram os lançamentos dos títulos do chamado “Invocaverso” e, assim como eles, também teve altos e baixos.

No geral, quanto mais eu buscava informações sobre o casal, mais me convencia de que fizeram jus a toda popularidade alcançada graças às adaptações cinematográficas que se apresentam como sendo baseadas em alguns de seus casos mais marcantes.

Mas, se tudo tem um fim, a franquia iniciada em 2013 não foge à regra e, sob a direção de Michael Chaves chega a seu encerramento com a estreia de “Invocação do Mal 4: O Último Ritual” (The Conjuring: Last Rites).

A obra serve como uma surpreendente resposta àqueles que insistem em julgar o gênero terror como algo inferior e raso, uma vez que, além de oferecer boas soluções no que diz respeito a sustos e cenas incômodas, alcança o feito de emocionar os espectadores, com suas passagens calcadas no relacionamento de Ed e Lorraine Warren (Patrick Wilson e Vera Farmiga, impecáveis como sempre). Sim, é possível chorar assistindo a um filme de terror.

A trama escrita por Ian Goldbeg, Richard Naing e David Leslie Johnson-McGoldrick se inicia em 1964, quando os jovens e ainda recém-iniciados nos trabalhos paranormais Ed (nessa fase, interpretado por Orion Smith) e Lorraine (Madison Lawlor) se veem diante de um perigo que não conseguem dominar.

Tal entidade mostra-se temerária o bastante, para colocar a vida da filha única do casal, Judy, em risco, ao ser a responsável por seu nascimento prematuro, quando a garotinha foi considerada natimorta, por pelo menos um minuto. Seu “retorno à vida” é visto como um milagre, após uma comovente demonstração de fé de sua mãe.

Uma passagem de tempo leva a narrativa até 1986 e mostra os protagonistas em uma espécie de aposentadoria, após o ataque cardíaco que quase vitimou Ed (mostrado no longa anterior). Além dos cuidados com a saúde, outros tristes fatos se mostram obstáculos à manutenção dos trabalhos, antes tão celebrados pelo público: a nítida popularidade em queda e a sentida falta de interesse dos mais jovens em relação às suas palestras e declarações.

Contudo, quando a maior preocupação da família deveria ser com a preparação do casamento de Judy (Mia Tomlinson) e seu simpático noivo Tony Spera (Ben Hardy), um novo e inesperado caso colocará em dúvida a escolha de não mais se envolver com o sobrenatural.

Dessa vez, a família atormentada reside na Pensilvânia e começa a sofrer com males desconhecidos após a crisma de uma de suas quatro filhas, Heather (Kíla Lord Cassidy), quando a jovem ganha um espelho, cuja moldura entalhada em madeira não é das mais agradáveis de olhar (embora conte com três figuras angelicais no topo).

Mesmo quem conhece o relato original do episódio poderá se surpreender com algumas decisões tomadas para as telonas, e que fazem as linhas narrativas das duas famílias – os Warren e os Smurl – se cruzarem de uma maneira bem mais profunda e interessante. Talvez nem tudo na vida acabe, no final das contas.

“Invocação do Mal 4: O Último Ritual” é o capítulo mais emotivo da franquia e isso não é nenhum demérito, pelo contrário: a aproximação e empatia que desenvolvemos pelos personagens ajuda a amplificar a tensão e o temor de que algo / alguém venha a causar algum malefício a eles.

E, por isso mesmo, torna-se tão difícil dizer adeus. Ao mesmo tempo em que surge uma expectativa (aumentada graças aos vários easter-eggs vistos no decorrer da história) de que outros spin-offs sejam realizados, fica a sensação de que ninguém será capaz de reproduzir, com a mesma eficiência, a química encontrada entre Patrick Wilson e Vera Farmiga.

Só o tempo – e as bilheterias – dirão se, e de que modo, o mal continuará sendo invocado. Por enquanto, um único pedido: Demônios, deixem os animaizinhos em paz.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Warner Bros. Pictures.

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