Quando se opta por contar uma história sem muito (ou nenhum) aprofundamento prévio – na ânsia que o espectador conseguirá montar seu próprio quebra-cabeça, ainda que sem muita certeza de qual imagem deveria formar – há dois caminhos distintos: conseguir atrair a atenção e despertar a curiosidade, desde o início, ou provocar menos interesse do que seria necessário para se aproveitar a obra.
Dirigido por Fernando Alonso e Nelson Botter, o terror sobrenatural nacional “Apanhador de Almas” transita, durante 109 minutos, de maneira não necessariamente inspirada, entre essas duas opções.
A narrativa escrita por Tarsila Araújo (em parceria com a dupla de diretores) gira em torno de quatro amigas – Emilia (Klara Castanho), Olivia (Duda Reis), Isabella (Priscilla Sol / Larissa Ferrara) e Mia (Jessica Córes) que, aparentemente, são aprendizes de de feitiçaria, discípulas do chamado Círculo de Hécat.
Horas antes de um eclipse solar, o grupo se encaminha para um casarão (esqueça a tradicional cabana na floresta), no qual reside a misteriosa Rea (Ângela Dippe), uma espécie bruxa mais experiente, que vai conduzir as protagonistas durante um ritual de evocação.
Com direito a elementos clássicos para esse tipo de prática, a cerimônia torna-se a porta de entrada para o tal Apanhador de Almas (Avatar Aang Willians). A figura nada amigável e de poucas palavras dá um ultimato às jovens, ao impor a dura condição de fazerem uma escolha mortal, a fim de definir quem sobreviverá a esse encontro.
Assim como acontece na maioria dos filmes que têm o ocultismo como cerne, há momentos interessantes, em especial no que diz respeito a segredos do passado de cada uma das garotas, e a quase sempre sagaz decisão de se transportar a história para outra dimensão, nesse caso, o chamado “Limbo” – o que ajuda a dar sentido a vários pontos.
Mas, eu esperava uma participação bem maior e mais ativa do personagem do título. Embora tenha um visual que não compromete (mesmo com o orçamento limitado sendo bem visível quanto a – diga-se de passagem, poucos, efeitos especiais – e maquiagem), sua representação em tela é tão curta, que quase nos esquecemos de que foi ele quem deu início a (injusta?) corrida pela sobrevivência imposta às, agora, não tão amigas.
São justamente os momentos finais, que, para mim, mostram-se os mais surpreendentes. E isso foi o grande ponto positivo de “Apanhador de Almas”, já que quase a totalidade da produção apoia-se em recursos já vistos inúmeras vezes – o que talvez não seja um impedimento à diversão de quem procura por algo familiar aos conteúdos que consome.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Retrato Filmes.


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