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Crítica: “Ne Zha 2: O Renascer da Alma”

“Eu destruo demônios e escrevo poesias”

Dualidade talvez seja a palavra que melhor descreve “Ne Zha 2: O Renascer da Alma” (Nezha: Mo tong nao hai), que chega aos cinemas brasileiros ostentando o surpreendente posto de animação de maior bilheteria da história, com mais de US$ 2 bilhões  arrecadados até aqui.

Escrito e dirigido por Yu Yang, também ocupa a quinta colocação na lista de títulos com maior arrecadação de todos os tempos, independente do gênero. O que torna o feito ainda mais grandioso, quando se pensa na quantidade e qualidade de lançamentos ocupam as telonas a cada ano.

Não é usual começar a acompanhar uma história a partir de sua segunda parte, ainda mais quando há tantos elementos que não são vistos com frequência em produções hollywoodianas, que têm uma dominância quase imbatível há anos, no mercado cinematográfico.

A boa notícia é que o roteiro livremente baseado no romance chinês do século XVI, “A Investidura dos Deuses”, de Xu Zhonglin e Lu Xixing, coloca os espectadores em uma posição bem confortável no que diz respeito a eventos anteriores que levaram a narrativa até o ponto exato onde se inicia essa continuação.

Em suma: Ne Zha (voz de Lü Yanting e Joseph Cao, no original; Bianca Alencar e Erick Bougleux, na versão brasileira) é um orbe demoníaco, fruto da Pérola do Caos  e do Fogo que, assim como o Príncipe Dragão Ao Bing (Han Mo / Lucas Gama ), Fruto da Pérola Espiritual e da Água, tem seu corpo físico destruído após uma grande batalha, restando somente as almas de ambos.

A dupla precisará da ajuda do carismático Taiyi Zhenren (Zhang Jiaming / Fernando Mendonça) que, através da Flor de Lótus de Sete Cores é capaz de gerar novos corpos para eles. Tal sequência, assim como perceberemos ser o padrão do longa, é um deleite visual (que fica ainda mais deslumbrante quando vista em IMAX).

O ritual não acontece como deveria, e um inesperado dano grave é causado na flor. Resultado: as almas dos dois jovens precisarão dividir o mesmo corpo por, no máximo sete dias. Nesse ínterim, deverão conseguir acesso a uma rara poção capaz de restaurar itens mágicos.

A jornada levará Ne Zha, Ao Bing e Taiyi Zhenren ao imponente Palácio Celestial de Jade, onde suas versões espirituais deverão trabalhar em harmonia, para que o “invólucro” que partilham mostre-se apto a passar pelo Teste dos Doze Imortais Dourados – cujo cumprimento lhes dará o que anseiam para, finalizar a cerimônia.

Enquanto encaram os múltiplos desafios nas suntuosas dependências do palácio, outros perigos circundam seu local de moradia, a Vila de Chentang, sejam na forma do demônio metamorfo Shen Gongbao (Yang Wei / Tatá Guarnieri) ou dos dragões vingativos (e belíssimos) liderados por Ao Guang (Yu Chen / Li Nan / Alexandre Maguolo), Rei Dragão e pai de Ao Bing.

Há muito a se apreciar em “Ne Zha 2: O Renascer da Alma”. E seus 144 minutos de duração – que, à primeira vista podem assustar quem está acostumado a animações mais curtas – são bem aproveitados do início ao fim.

Para tornar tudo melhor, aliado ao encantamento visual e entrelinhas textuais relevantes – inclusive sob a ótica dos dias atuais -, está a sabedoria em inserir um humor que, por ser simples, torna-se muito efetivo, seja com a participação de personagens como o Porco Voador ou com ótimas tiradas de Ne Zha, que não é exatamente uma figura sutil.

Ao término da exibição – que traz uma cena adicional extensa em relação às costumeiramente oferecidas em blockbusters – creio que o filme tenha alcançado o intuito de encantar quem já consome esse tipo de conteúdo. Além de ganhar a atenção daqueles que – como eu – ainda são iniciantes, e saem da sala interessados em saber mais não apenas sobre a obra em si, mas sobre toda a rica mitologia chinesa que a compõe.

por Angela Debellis

*Título assistido em Sessão Especial promovida pela A2 Filmes.

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