
“Chegou a hora da Miauventura!”
Depois de onze temporadas de sucesso, “A Casa Mágica da Gabby” sai das telinhas para ganhar os cinemas e o coração de quem sabe que todo momento é uma chance de criar magia.
Tendo como base a proposta lúdica da série da DreamWorks Animation voltada ao público pré-escolar que estreou no streaming em 2021, “A Casa Mágica da Gabby – O Filme” (Gabby’s Dollhouse – The Movie) corria o risco de parecer apenas um episódio estendido, mas a boa notícia é ser bem mais do que isso.
Dirigida por Ryan Crego, a história inédita e sob medida para ser contada em mais tempo (112 minutos contra cerca de 20 minutos dos capítulos seriais), mostra Gabby (Laila Lockhart Kraner, com voz de Isa Pagnota na versão nacional) em uma inesperada aventura ao lado de seu fiel companheiro Pandy (voz de Logan Bailey / Gab Cardoso) e dos simpáticos gatinhos que compõem o elenco animal – quando as cenas ganham contornos de animação pura ou mesclada a elementos do live-action.
Tudo começa quando a sonhadora garota viaja até a fictícia cidade de São Gatisco, para visitar sua avó Gigi (Gloria Estefan), levando sua icônica casa de bonecas, dentro da qual deixa a imaginação livre para criar narrativas cheias de brilho e diversão.
As coisas vão bem até que um incidente faz com que o brinquedo caia nas mãos de Vera (Kristen Wiig, com voz de Sylvia Salustti na versão nacional), uma rica e excêntrica colecionadora de objetos temáticos de felinos. Ao ignorar a mágica que ronda o item e enxergá-lo apenas como mais uma peça exclusiva de seu acervo, a personagem coloca em risco o mundo de fantasia no qual vivem os amigos peludos de Gabby.
Caberá à jovem e seus parceiros encontrarem uma maneira de recuperar a casa, enquanto descobrem que certas coisas não são o que parecem e que nem todos que precisam de ajuda conseguem pedi-la (ou às vezes, nem mesmo se dão conta de que dela necessitam).
O que dá ao roteiro uma interessante camada e transforma a jornada de Gabby em algo com mais nuances do que o previsto. Ótima decisão para atrair quem espera por músicas, glitter e fofurices, mas que visa prender a atenção daqueles que vão se interessar em saber a conclusão de um arco que deve atingir o emocional de muitos espectadores.
Não é preciso conhecer a série para entender a trama escrita por Mike Lew, Rehana Lew Mirza, Adam Wilson e Melanie Wilson LaBracio, mas é claro que os fãs prévios terão ainda mais motivos para se divertir com o longa, afinal, os elementos mais emblemáticos estão presentes e ajudam a criar o clima ideal para conquistar a plateia.
A interatividade – uma das marcas mais famosas da obra original para a tv – se torna um dos pontos altos da versão cinematográfica, e é fácil se pegar seguindo os comandos da Gabby para criar coreografias simples e que fazem sorrir.
Sim, isso vale também para os adultos que se deixarem envolver pelo encanto que parece tão trivial quando somos mais novos, mas que aos poucos se esvai, conforme nos envelhecemos e deixamos o ceticismo tomar um espaço maior do que deveria em nossas vidas.
Como definir “A Casa Mágica da Gabby”? É tão bom quanto um cupcake coberto de granulado colorido, algo que deixa o coração quentinho, como quando observamos um gatinho brincando com uma bola de lã. E as crianças (de idade ou de alma) sabem reconhecer quando existe esse cuidado, esse carinho.
Que filme gatástico.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Universal Pictures.


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