
Lançada em 2021 na China, a animação “Entre Penas e Bicadas” (老鹰抓小鸡 / Goldbeak) demorou para alçar voos em espaços mais amplos – entenda-se outros países. Com sua estreia em terras brasileiras, mostra-se uma boa opção para assistir em família, justamente por tratar sobre até que ponto laços familiares impactam direta ou indiretamente em nossas trajetórias.
Escrita por Robert N. Skir, Jeff Slonikere Vivian Yoon, a trama nos apresenta um filhote de águia-real que se torna órfão logo após seu nascimento, devido à suspeita queda do avião no qual viajam seus pais.
Sim, eu também me perguntei o motivo de aves estarem a bordo de uma aeronave, quando poderiam voar livremente pelo céu, mas, como são antropomórficos (ou seja, têm características humanas), isso acaba fazendo um sentido aceitável.
O pequeno protagonista é acolhido por Biddy (voz de Adriana Pissardini na versão brasileira), uma generosa galinha que vive em Poleiro Bicópolis e decide adotar a aguiazinha, a quem dá o nome de Bico-Dourado (João Vitor Mafra), e que será criada junto à sua inteligente e curiosa filha, Catraca (Sicília Vidal).
Ao chegar à adolescência, mesmo sendo feliz com a vida que leva ao lado da mãe e da irmã adotivas, Bico-Dourado sente-se excluído por vários moradores locais, afinal, ao contrário da espécie predominante no vilarejo (galinhas), ele pode voar – ainda que não tenha confiança para fazê-lo.
Descobrir suas origens passa a ser uma prioridade para o jovem que embarca em uma corajosa viagem até a chamada Cidade Aviária, uma metrópole moderna e com avançada tecnologia, que tem como governador o imponente Sr. Bateasas (Marco Antônio Abreu), que assumiu o cargo depois da morte de seu irmão Asa Prateada (JV Fiori).
O encontro com Bico-Dourado tem ares de promessa de um recomeço familiar, mas logo outros interesses ficam claros e fazem do personagem uma figura bastante singular no que diz respeito a assumir suas verdadeiras intenções.
Temas como adoção, pertencimento, autoestima e empatia são tratados com didática o suficiente para serem entendíveis pelas crianças menores, o que não quer dizer que sejam apenas rasos.
Se não existe uma complexidade direcionada aos adultos, o modo como os assuntos são apresentados em tela conseguem atender a qualquer um disposto a aproveitar as lições que podem ser tiradas da história.
Mantendo um estilo próprio (que se distancia com sutileza de outras animações populares) visualmente, o longa dirigido por Dong Long e Nigel W. Tierney é gracioso e tem como maior trunfo o uso de cores vivas e intensas que deixam as texturas das penas das aves em evidência. Além de conferir individualidade a cada cenário, mesmo que não haja tantos detalhes quanto os espectadores se acostumaram a ver nos últimos anos, nesse tipo de obra.
No geral, “Entre Penas e Bicadas” é simples e demostra ter orgulho disso. Talvez por ter consciência de que boa parte das melhores coisas da vida (felizmente) não precisa de um desenrolar complexo para ser relevante.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela A2 Filmes.


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