“Você precisa ter orgulho do que faz.”
A vida moderna trouxe óbvias facilidades ao nosso dia a dia, mas também é responsável por algo que evitamos pensar, ainda que seja tão claro: a normalização da distância. Acostumamos a interagir através de telas e mensagens ouvidas em velocidade diferente da normal.
Mas, como seres sociais, a verdade é que, no fundo, sabemos o quanto as relações “reais” são importantes para o nosso desenvolvimento emocional. E, por isso, valorizamos tanto quando temos oportunidade de vivenciá-las.
Adaptação sul-coreana do longa francês “Blind Date”, “Meu Pior Vizinho” (Binteumeotneun Saire / My Worst Neighbor) trata bem essa situação, mostrando um casal de protagonistas que deverá aprender a conviver com as diferenças um do outro, a fim de encontrar um ponto de equilíbrio que atenda a suas necessidades. Tudo isso, sem ter nenhum contato físico ou sequer se conhecer pessoalmente.
Lee Seung-jin (Lee Ji-hoon) é um jovem na casa dos trinta anos que insiste em manter acesa a chama de sua ambição de tornar-se um cantor famoso. Mesmo após diversas experiências negativas e com a desistência de seus amigos de banda – que decidiram procurar outro tipo de emprego – ele ainda acredita que pode ter êxito na carreira solo.
Ao inscrever-se no reality show musical “Dream Again”, ele passa de fase e precisa de um lugar tranquilo onde possa ensaiar para sua próxima audição. Para isso, aluga um pequeno apartamento – único local compatível com sua renda – que, assim como tantos imóveis na Coreia do Sul, sofre com um isolamento acústico inadequado, devido à espessura ínfima de suas paredes.
Depois de ouvir barulhos estranhos vindos da parede, Seung-jin imagina que há um fantasma assombrando o imóvel ao lado – que fica em outro prédio -, mas logo descobrirá ser apenas sua vizinha, Hong Ra-ni (Han Seung-yeon), uma talentosa designer de personagens que sofre com as restrições vividas por quem tem que lidar com crises de pânico / ansiedade.
O que começa como uma batalha de sons para ver quem causa mais incômodo no outro, acaba se transformando em um acordo que define períodos para que cada um possa agir “normalmente” – mesmo que isso implique em um completo estranho sabendo exatamente cada coisa que é feita do outro lado daquela parede partilhada.
Daí para a relação ganhar profundidade é um passo. Os encontros que têm um obstáculo de concreto separando os interessados, tornam-se adoráveis visões quando a imaginação de ambos ganha asas e vemos na tela o que se passa em seus corações.
Existe uma doçura natural na trama escrita por Park So-Hee, Lee Woo-Chul (também à frente da direção) e Kim Ho-Jung, que em nenhum momento força situações ou acelera processos. Tudo acontece no seu tempo, respeitando a individualidade dos protagonistas, enquanto prepara o terreno para uma nova experiência em comum.
O destaque fica para a maneira como as relações próximas são tratadas com a devida importância. Mesmo quando sua capacidade profissional é posta em dúvida, Seung-jin segue contando com o apoio dos amigos, Koo Ji-Woo (Ko Kyu-Pil), Kim Yoon-Sung (Kim Yoon-Sung) e Jung Jae-Young (Lee Yoo-Joon).
Assim como Ra-ni, que tem na irmã, Hong Ra-Kyung (Jung Ae-Youn), sua fortaleza para continuar o tratamento psiquiátrico e superar traumas causados pela falta de caráter de Dong Won-Chang (Im Kang-Sung), CEO da empresa para a qual trabalhava.
“Meu Pior Vizinho” tem momentos tão divertidos e emocionantes. Do tipo de filme para assistir com um sorriso no rosto e que servirá como um ótimo incentivo para dar um telefonema há muito adiado ou marcar aquele encontro que sempre fica para depois, mas que merece (e quem sabe, até mesmo precisa) acontecer sem demora.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Sato Company.


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