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Crítica: “Cyclone”

“Cyclone” põe luz ao passado absurdo e abusivo, através de uma mulher em busca de reconhecimento. O filme começa muito bem. A cena inicial instiga. Segue-se dessa maneira.

Numa época em que ser mulher era ser uma sombra atrás de um homem, sendo marido, pai, amante, ou qualquer outro que fosse, Dayse Castro (Luíza Mariani) queria provar o seu talento dramatúrgico, mas tinha que se esconder em um pseudônimo – Cyclone – e ser desprezada como artista e pessoa. Sua luta em busca de seu sonho, a levou por caminhos atropelados, mas ela não desistiu nunca, mesmo quando os obstáculos aumentavam.

Quanto mais nos distanciamos no tempo, mais horroroso e absurdo se torna a forma como a mulher era enxergada num passado, que se colocado na linha do tempo do ser humano, não tão distante.

Cyclone tem um desejo e luta por ele, enfrenta as piores adversidades. E quem não conhece sua história, passa o filme esperando a conclusão, torcendo e vibrando por ela.

A obra conta com interpretações consistentes de Luíza Mariani (Dayse Castro / Cyclone), além de grandes participações de Eduardo Moscovis (Heitor Gamba), Magali Biff (Ada), Karine Teles (Marie) e Luciana Paes (Lia). Participações mais que especiais, porque o filme é de Luíza e Luíza é o filme.

Tecnicamente lapidada, a obra tem uma direção certeira e precisa de Flávia Castro. Assim como apresenta o roteiro equilibrado de Rita Piffer. As diretoras de fotografia e arte, Heloisa Passos e Ana Paula Cardoso, nos transportam à agonia de se viver naquela época (1919).

O Theatro Municipal de São Paulo é um dos principais cenários do filme. Nos bastidores dos ensaios de uma companhia de teatro, onde sua dramaturgia se escondia atrás da prestigiada figura do diretor famoso, é onde se vê mais explicitamente o sofrimento dessa dramaturga. Não poder assinar sua criação e ser ignorada até mesmo por seus semelhantes, foi o maior algoz de Cyclone.

Quando a trama se encerra, sentimos uma sensação muito importante, a de “que bom que esse filme existe”. Que bom que ele foi pensado e executado por esse grupo de mulheres fantásticas.

por Carlos Marroco – especial para A Toupeira

*Título assistido em Pré – Estreia promovida pela Bretz Films.

 

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