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Crítica: “Natal Sangrento”

“Quem é bonzinho consegue coisas boas. Quem é levado sofre castigo.”

Entre as inúmeras marcas deixadas na cultura de entretenimento pela década de 1980, talvez uma das mais bacanas seja o número de produções cinematográficas que seguem relevantes após tantos anos.

Grande destaque para o gênero Terror, que teve incontáveis produções de sucesso no período, fortes o bastante para serem não apenas lembradas, mas celebradas de outras formas, como no mais recente remake de “Natal Sangrento” (Silent Night, Deadly Night).

O original lançado em 1984 rendeu quatro continuações (diretas e indiretas) e outro remake (além desse que chega agora aos cinemas), entre 1987 e 2023. O que mostra que há grande interesse na representação macabra da época natalina.

Ainda que a ideia central permaneça a mesma, a história de Billy Chapman (Logan Sawyer, quando criança e Rohan Campbell, quando adulto) ganha bem-vindos contornos sobrenaturais, o que acrescenta não só novidade, mas qualidade à narrativa.

Aos oito anos, o protagonista é vítima de dois traumas que o marcarão por toda a vida: a afirmação do avô paterno (interpretado por Darren Felbel), de que Papai Noel não é a figura generosas que todos conhecem e o assassinato de seus pais, Geoffrey (Erik Athavale) e Tara (Krystle Snow), cometido justamente por um homem trajando as vestimentas do Bom Velhinho.

A narrativa tem uma passagem de 17 anos e agora mostra um jovem Billy cumprindo um estranho ritual: A cada dia do Calendário do Advento, ele deverá matar uma pessoa que considerar “levada”, ou alguém aleatório – e talvez inocente – perderá a vida no lugar.

Para isso, o protagonista não pode passar muito tempo no mesmo local. O que muda quando chega à pequena cidade de Hackett, Wisconsin. Lá, contrariando Charlie (Mark Acheson) – voz do homicida que ocupa seus pensamentos desde a noite da perda dos pais – ele aceita trabalhar em uma loja de artigos natalinos (algo muito propício, diga-se de passagem).

Gerido pelo simpático Dean Sims (David Lawrence Brown) e sua filha de temperamento explosivo, Pamela (Ruby Modine), o estabelecimento é ideal para Billy encontrar suas próximas vítimas, sem chamar atenção. E é nesse ambiente que ele descobrirá figuras que escondem comportamentos abomináveis e que, certamente merecem o rótulo de malvados.

Graças a uma construção mais elaborada – quando comparada à vista no longa original – Billy deixa de ser um assassino insano, para ganhar o status de anti-herói, o que faz com que o público desenvolva simpatia por suas ações. Assassinatos? Sim. Mas, sem dúvida alguma, merecidos.

As execuções, embora nítidas, poderiam ser mais explícitas, mas, no geral, é satisfatório assisti-las. Há uma divertida opção em tornar elementos simples como luzes de pisca-pisca em armas letais, mas o bom e velho machado é o artefato que dá o tom.

Escrito e dirigido por Michael P. Nelson, “Natal Sangrento” consegue a surpreendente façanha de ser melhor do que a obra na qual se baseia, o que não costuma acontecer quando se trata de remakes. E isso é mais do que suficiente para, quem sabe, Billy voltar a figurar na lista dos bonzinhos (ou algo próximo a isso).

Como diz a clássica canção “Santa Claus is coming to town”, fica a dica: “É melhor tomar cuidado, porque Papai Noel está está vindo para a cidade…”.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Diamond Films.

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