“Eu quero ser um grande aventureiro. Estou pronto!”
Que a indústria do entretenimento é feita de camadas, não é novidade. Assim como são nítidas as mudanças nela causadas, devido a cobranças cada vez mais inalcançáveis de um público ávido por fazer críticas longe de serem construtivas.
Felizmente, há obras e personagens que não só resistem ao tempo e às transformações trazidas por ele, como provam que sua qualidade também pode ser mensurada pela coragem em manter-se tão singular quanto atrativo.
É o caso de Bob Esponja, que celebra 26 anos de criação, com a estreia de seu mais novo longa animado nas telonas. A icônica figura amarela que vive na Fenda do Biquíni dá continuidade a uma trajetória de sucesso nos mais diversos mercados – da TV ao cinema, passando por livros e brinquedos – com uma narrativa que se foca simplesmente no que há de mais importante quando pensamos nesse tipo de conteúdo: divertir.
Com roteiro de Pam Brady e Matt Lieberman, “Bob Esponja: Em Busca da Calça Quadrada” (The SpongeBob Movie: Search for SquarePants) traz um protagonista (voz de Tom Kenny, na versão original / Wendel Bezerra, na excelente versão nacional) muito orgulhoso por ter alcançado a altura de 36 mariscos – e a liberação para aproveitar a “Capitão Baú de Barbados”, montanha-russa mais radical do fundo do mar.
O que o jovem cozinheiro do Restaurante Siri Cascudo não esperava, era o surto de covardia que viria junto com a possibilidade de conhecer o brinquedo. Ser “Grandão” talvez seja mais do que um estado de espírito, no final das contas.
É quando decide que, para validar sua coragem, precisa ter um Certificado de Aventureiro – concedido apenas aos indivíduos mais valorosos, entre eles, o Sr. Sirigueijo (Clancy Brown / Luiz Carlos de Moraes), que surge em excelentes flasbacks de sua juventude – com um físico invejável – quando era tripulante do temível Holandês Voador.
Começa então, a jornada de Bob, adoravelmente melhorada com a presença de seu fiel amigo Patrick Estrela (Bill Fagerbakke / Marco Antônio Abreu). A dupla é responsável pelas melhores piadas da produção, mas também funciona como elementos individuais. Um dos grandes trunfos da criação do animador, roteirista, cartunista e biólogo marinho americano Stephen Hillenburg, falecido há sete anos.
Visando concluir um circuito composto por 25 desafios e conquistar o sonhado certificado, Bob embarca em uma trama inesperada, quando o Fantasma do Holandês Voador (Mark Hamill / Júnior Nannetti) – vilão conhecido dos fãs da animação televisiva – julga ter encontrado o necessário para quebrar o feitiço que o amaldiçoa há 500 anos: “alguém puro de coração com uma mente inocente”. Mais Bob Esponja, impossível.
Em 88 minutos, o filme dirigido por Derek Drymon não perde o ritmo em nenhum momento. São inúmeras piadas, citações e detalhes que não precisam de esforço para fazer o público rir. Do modo incomum de Patrick usar seu figurino de pirata, ao sempre exagerado (porém engraçadíssimo) mau humor de Lula Molusco (Rodger Bumpass / Glauco Marques), tudo funciona em tela.
“Bob Esponja: Em Busca da Calça Quadrada” é um delicioso retorno ao que há de melhor na história do personagem, com uma pitada de modernidade que não ofende o material original, pelo contrário: ressalta a ideia de que é possível entregar um produto que mescle o melhor dos dois mundos.
Que jeito maravilhoso de encerrar um ano muito valoroso no que diz respeito a animações. Vale a pena mergulhar até o fundo do mar (ou até o cinema mais próximo).
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Paramount Pictures.


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