“Ela quer destruir a minha vida e eu não sei o porquê.”
Abrindo a primeira semana de estreias cinematográficas de 2026, o suspense psicológico “A Empregada” (The Housemaid) leva às telonas a adaptação do best-seller homônimo de Freida McFadden (também produtora executiva do longa), lançado em 2023.
Passada em Long Island, a trama nos apresenta Millie Calloway (Sydney Sweeney), jovem que vê na oportunidade de tornar-se empregada doméstica de uma abastada família, a melhor saída para manter-se em liberdade condicional, após cumprir dez anos de pena, por um crime cometido durante o segundo grau.
Os patrões da jovem são Nina (Amanda Seyfried) e Andrew Winchester (Brandon Sklenar), casal cujo relacionamento é bem mais sólido quando se enxergam apenas as aparências / informações que ultrapassam as paredes da magnífica residência na qual vivem com a filha única, Cecelia (Indiana Elle).
A contratação de Millie parece boa demais para ser real. O que fica bem evidente quando ela se muda para seu local de trabalho e começa a vivenciar a constante instabilidade do humor de Nina.
Com assustadora rapidez, gentileza e acusações levianas se alternam, até que a conduta de sua patroa atinge o ponto em que se equilibra sobre a tênue linha que separa o minimamente aceitável do efetivamente temerário.
Se Andrew demonstra equilíbrio e experiência ao lidar com a esposa (que já tem um histórico de problemas psiquiátricos) durante as crises, caberá à nova empregada aprender (e até mesmo suportar) algumas coisas, se quiser preservar seu emprego e sua integridade física e mental.
Focado quase integralmente no trio de protagonistas, o roteiro de Rebecca Sonneshine aos poucos oferece pistas aos espectadores, que deverão montar um quebra-cabeça a partir de peças que não se conectam. Mas, que, quando observadas como um todo, entregam uma história repleta de reviravoltas e boas surpresas.
Nem sempre previsibilidade é algo ruim. No caso do longa dirigido por Paul Feig, mesmo que algumas sequências acabem sendo um tanto quanto óbvias aos fãs mais ardorosos de produções do gênero, o resultado, no geral, continua positivo.
Isso se dá pela visível habilidade de contornar os pontos menos eficientes, desenvolvendo uma narrativa interessante o bastante para querermos saber as consequências de cada decisão tomada pelos personagens.
Entre vários destaques ao longo dos 131 minutos de duração, os momentos finais de “A Empregada” são muito satisfatórios. E, embora o arco apresentado seja concluído, é possível imaginar que, se a recepção do público for positiva, outros filmes poderão ser realizados, já que há mais dois livros e em conto desse mesmo universo.
Vale conferir.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Paris Filmes.


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