“Na hora em que você estiver no topo, quem vai rir é você.
Nem sempre os planos que fazemos dão certo. Simplesmente, porque a vida não é algo previsível e perdas inesperadas farão com que alguns projetos se percam pelo caminho.
É o caso de “Agentes Muito Especiais”, cuja concepção se deu através das mentes de dois dos melhores humoristas nacionais dos últimos tempos: Marcus Majella (que segue como um dos protagonistas do longa) e Paulo Gustavo (que faleceu em 2021).
Tal partida repentina marcou não só o enfraquecimento do humor nacional, como um todo, mas também a desistência de dar andamento ao projeto imaginado pela dupla de amigos / colegas de trabalho.
Cinco anos se passaram e o filme – dirigido por Pedro Antônio – ganha os cinemas, de maneira diferente, mas com a coragem de levar adiante a ideia de mostrar figuras que, em um primeiro momento poderiam soar deslocadas em um ambiente que diverge de quase tudo que lhes é comum, mas cuja singularidade os torna tão interessantes em tela.
Escrita por Fil Braz, a trama passada no Rio de Janeiro nos apresenta Jeff Amaral (Marcus Majella) – empenhado policial que já atua há anos na corporação – e Johnny Gomes (Pedroca Monteiro) – segurança do Parque Municipal de Teresópolis.
Quando abrem vagas para trabalhar no COIP – Centro de Operações de Inteligência da Polícia, eles veem a oportunidade de provar sua competência, encarando não só os desafios que o cargo impõe, mas também o preconceito gerado pelo fato de ambos serem gays – um bastante confortável com a própria orientação sexual; o outro, ainda em fase de negação, temendo não ser aceito por quem o cerca.
Sob rígidas orientações do sisudo Comandante Queiroz (Chico Diaz), a dupla se vê no meio de uma arriscada missão para desbaratar a gangue de traficantes liderada pela misteriosa Onça (Dira Paes).
Para isso, deverão se infiltrar no Centro Penitenciário Serra Grande, e desempenhar o papel de internos comuns, visando aproximarem-se dos demais membros do temível grupo – entre eles, Davi (Dudu Azevedo), que terá um papel importante em um dos arcos mais relevantes da narrativa.
Além do óbvio destaque para Marcus Majella e Pedroca Monteiro (com a sintonia de seu trabalho na série televisiva “Vai Que Cola” preservada), há de se exaltar a ótima escolha de faixas da trilha sonora que inclui nomes tão distintos quanto Alicia Keys e Ney Matogrosso.
Obras que têm como base o acréscimo do viés cômico em âmbitos claramente sérios não são novidades, mas, quando bem executadas, ainda são capazes de entreter o público. Sem uma ambição maior do que essa, “Agentes Muito Especiais” conta com momentos inspirados, quando fica nítida a qualidade de seu conceito original.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Downtown Filmes.


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