
Realidade e ficção. Ficção que assombra. “A Voz de Hind Rajab” (Sawt Hind Rajab / The Voice of Hind Rajab) é um filme que corta e machuca a todos por dentro. Lamentos e revolta são causados por essa obra de extrema importância.
A impactante e necessária dramatização de fatos reais, e a sobreposição de realidade e encenação surgem como estratégia acertada da direção de Kaouther Ben Hania, que nos pressiona a não sair daquele contexto agonizante da guerra em Gaza.
Entender as dificuldades e complexidade burocrática do conflito se torna conivente e não inconveniente, porque todos nos sentimos de mãos atadas, impotentes.
A história segue o pedido de socorro de uma menina de 6 anos chamada Hind Rajab. Ela é uma voz na história, mas seu drama é descrito em uma perfeição que nos reporta a nossa mente. As imagens não vistas fisicamente, mas montadas em nossa cabeça, que colhem em nossa memória outras atrocidades já registradas dessa brutal guerra.
Os atores Saja Kilani (Rana Hassan), Motaz Malhees (Omar A. Alqam), Clara Khoury (Nisreen Jeries) e Amer Hlehel (Mahdi Aljamal) surpreendem com a veracidade de suas interpretações, tanto que, em alguns momentos, esquecemos que se trata de uma encenação, ainda mais por sabermos que parte do longa é real. Mesmo sendo anunciado na própria obra que os áudios são autênticos, a representação nos leva para sentimentos de lamento e ansiedade.
Trata-se da dramatização de uma narrativa verídica, da qual já conhecemos o fim, mas, ainda assim, queremos, torcemos o final ser outro. Esquecemos por vários momentos os fatos históricos e vibramos, dilacerados, a cada instante, juntos aos personagens que batalham uma outra guerra para salvar Hind Rabad e a sua voz.
O tenso cenário de “A Voz de Hind Rajab” é o escritório da Crescente Vermelha, uma organização ligada à Cruz Vermelha na Palestina, cujo intuito é ajudar os sobreviventes da guerra em Gaza.
No filme, os horrores dos conflitos são traduzidos na voz de Hind Rabad, e na importância dos poucos salvadores. Na tristeza da traição e na agonia do telefone que não toca quando se corre contra o tempo.
por Carlos Marroco – especial para A Toupeira
*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Synapse Distribution.


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