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Crítica: “Alerta Apocalipse”

“Estamos no Nível 10 de Stress.”

Terreno fértil para a criação das mais diversas obras, a fragilidade (rotineiramente deixada esquecida em um canto remoto de nossos cérebros) do planeta em que vivemos – ou melhor, das criaturas que o habitam – segue gerando frutos que vão da obviedade total à surpresa eficiente.

Baseado no livro homônimo de David Koepp (responsável por roteirizar a trama para o cinema), lançado em 2019, “Alerta Apocalipse” (Cold Storage) coloca humanos e animais lutando contra um antagonista tão pequeno quanto letal.

Em 1979, a estação espacial norte-americana Skylab saiu de órbita, o que culminou em uma explosão que espalhou destroços pela Austrália Ocidental (curiosidade: Este fato realmente aconteceu, embora o restante do roteiro seja fictício). Como sempre, as autoridades tiveram certeza de terem recuperado todos os elementos que pudessem colocar a vida terrestre em risco. Como sempre, elas estavam erradas.

Dezoito anos depois, a microbiologista Drª Hero Martins (Sosie Bacon) é incumbida de descobrir o que está causando a morte dos moradores da comunidade australiana de Kiwirrkurra, onde há um tanque remanescente dos detritos da Skylab, cujo conteúdo revela-se um perigoso fungo parasita.

A fim de auxiliá-la nessa arriscada tarefa, dois agentes de redução de ameaças à Defesa são convocados: Robert Quinn (Liam Neeson) e Trini Romano (Lesley Manville). E, dessa vez, mesmo com o alto número de perdas, o problema foi contido. Será?

Mais uma passagem de tempo traz a narrativa para dias atuais, quando já não há nenhuma menção à tragédia que acometeu a pequena cidade. Até que os funcionários de uma Self Storage (local que disponibiliza galpões para armazenamento de bens de pessoas físicas e jurídicas) no leste do Kansas decidem procurar pela fonte do estranho ruído que pode ser ouvido atrás das paredes do estabelecimento.

O que o falador Travis “Teacake” Meacham (Joe Kerry) e a curiosa Naomi Williams (Georgina Campbell) não esperavam é que por trás da fachada comum de um depósito, haviam instalações governamentais criadas para conter todo tipo de ameaça ao planeta. E que o tal fungo da década de 1970 despertaria com ainda mais vontade de acabar com a vida na Terra.

Alternando entre comédia, ficção científica e body horror, a produção dirigida por Johnny Campbell encontra um lugar confortável para contar uma história com momentos bastante inspirados, que servem como compensação diante de uma proposta que, se não é exatamente criativa, consegue ser bastante eficaz.

O destaque vai para as cenas envolvendo infectados pelo fungo. Sem nenhum pudor em trabalhar com o que causa repulsa, o filme entrega um bom resultado no que diz respeito a maquiagens práticas – e, embora os efeitos práticos sejam menos inspirados, também servem o propósito de causar incômodo no público.

Também cabe exaltar a boa trilha sonora original de Mathieu Lamboley, assim como as faixas de aclamados nomes como Blondie (ouvida em uma das sequências mais frenéticas do longa) e Beach Boys, que impõe um ritmo que não se perde em nenhum momento.

Vale muito a pena conferir.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Imagem Filmes.

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