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Crítica: “Kill Bill: The Whole Bloody Affair”

“Aquela mulher merece se vingar. E nós merecemos morrer.”

Certos filmes dão a sensação de já terem atingido o auge da aclamação. Isso ocorre quando, mesmo após muitos anos de seus lançamentos, seguem vivos no imaginário popular, com lugares de destaque garantidos ao se pensar em títulos que, de algum modo, impactaram a indústria cinematográfica.

A duologia “Kill Bill” facilmente se encaixa nessa afirmação. Na bem sucedida (embora curta) filmografia do diretor Quentin Tarantino, destacam-se os trabalhos que contaram a história de Beatrix Kiddo – também conhecida como A Noiva e Mamba Negra (Uma Thurman), icônica personagem que ganhou as telonas em 2003 e 2004.

A violenta trama original conta a jornada de vingança da protagonista, após ser vítima de uma tentativa de assassinato numa capela isolada em El Paso, Texas, durante o ensaio de seu casamento. O ataque coordenado – que ficou conhecido como Massacre de Two Pines – acabou com a morte de sete pessoas, incluindo seu noivo, Tommy Plympton (Chris Nelson), e foi um plano de seu ex-amante / chefe, Bill (David Carradine), executado junto aos asseclas que formam o Esquadrão Assassino Víbora Mortal.

Depois de um período de quatro anos e meio em coma, Beatrix acorda disposta a acabar com a vida de todos aqueles que determinaram que seu futuro fosse solitário e repleto de traumas. Para isso, contará com a ajuda de figuras importantes que vão aprimorar seu treinamento e transformá-la em uma assassina ainda mais letal.

Mas, por que falar sobre obras cujos lançamentos datam de mais de 20 anos? Simplesmente porque alguém teve a maravilhosa ideia de trazê-las de volta aos cinemas, em uma versão que não só une os dois volumes (como pensado incialmente por Tarantino), mas também acrescenta conteúdos inéditos a eles.

Assistir a “Kill Bill: The Whole Bloody Affair” é o que se pode chamar de verdadeira experiência. Com 275 minutos de duração (e direito a intervalo), a produção unificada convida o público a acompanhar A Noiva em seu sangrento percurso até o encontro final com Bill.

Entre sequências animadas (que farão brilhar os olhos dos fãs de animes), ampliação de cenas que tornam-se mais detalhadas e um incrível trabalho para destacar as cores em determinados pontos cruciais, as novidades são um banquete para os fãs prévios e um grande presente a quem verá o longa nos cinemas pela primeira vez.

Mas, para mim, o maior diferencial foi a possibilidade de conferir a produção em 35mm. Por mais que a tecnologia atual ofereça imagens tão limpas e perfeitas que beiram o estranhamento, nada supera o charme da película, cujas “imperfeições” acabam se fundindo à narrativa de maneira que só lhe acrescenta qualidade. Tal interpretação poderá ser conferida no Cine Belas Artes em São Paulo, único cinema da América Latina a oferecer esse recurso.

Tudo vale a pena em “Kill Bill: The Whole Bloody Affair”: dos figurinos amplamente replicados na forma de cosplays em eventos ao redor do mundo, à trilha sonora que se mantém como uma das mais competentes de todos os tempos, passando por momentos que são a mais autêntica representação do melhor com que a sétima arte pode brindar à plateia.

Imperdível.

por Angela Debellis

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Paris Filmes.

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