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Crítica: Push – No Limite do Medo”

Suspense muito bem elaborado nas sequências iniciais, e em até boa parte de sua duração, “Push – No Limite do Medo” (Push) traz Alicia Sanz contracenando com si mesma e com o oculto. Se o filme se resumisse apenas a ela, como num monólogo, seria interessantíssimo, poderia até ser melhor do que foi.

A aparição de Raul Castillo (The Client), enquanto sombra, sem rosto, somente a silhueta projetada, foi muito melhor do que quando foi, de fato, revelado. A sensação é de que não houve uma construção adequada do personagem, com o ator mostrando certa desorientação em cena.

Porém, nada que tenha tornado o a obra menos valiosa, pois a direção dada às cenas e a atuação de Alicia compensaram qualquer indefinição de seu rival.

Na trama, Natalie Flores (Alicia Sanz) é uma corretora de imóveis grávida que chega sozinha em uma mansão isolada e esquecida. A luta por sua sobrevivência e a de seu bebê através de todos os desafios dessa armadilha psicológica faz lembrar, num paralelo distante, o corretor de imóveis, Jonathan Harker, quando chega ao castelo para uma visita ao Conde Drácula.

Há uma sequência de detalhes que assustam e vão num crescente contribuindo com o medo pelo desconhecido, com uma suspeita sobrenatural, e uma casa amaldiçoada, que se constrói no psicológico da protagonista.

A destemida corretora grávida vai se fragilizando com sentimentos confusos, inclusive com o texto da mãe, do qual deduzimos o teor, pelas palavras da própria Natalie, quando ao telefone. A poeira, a luz que estoura, o portão, o carro que não pega, tudo contribui para somar a personagem à casa, impedindo-a de sair viva dali, porque atreveu-se a entrar.

Essa confusão do psicológico com o sobrenatural dá um nó na mente da personagem e, consequentemente, do público. A agonia pelo vazio e solitário, o silêncio invasor, e a respiração que vai ficando ofegante à medida que o tempo passa, ou não, são elementos que qualificam o longa, que lhe dão potencial.

Com roteiro e direção de David Charbonier e Justin Powell, “Push – No Limite do Medo” é um terror elegante, que não mostra os clichês escancarados, onde o subtexto e as cenas camufladas e cifradas oferecem um toque de arte, que o diferencia dentro do gênero.

por Carlos Marroco – especial para A Toupeira

Título assistido em Pré-Estreia promovida pela Clube Filmes.

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