
“É sempre um momento bom para sorrir para a vida.”
Famílias são universos particulares. No geral, cada membro á capaz de escrever sua própria história, mas existe um laço emocional que faz com que, muitas vezes, detalhes importantes acabem convergindo para um único lugar.
No drama francês “Minha Querida Família” (Ma famille chérie), esse ponto focal é a casa da matriarca Queen (Marisa Berenson).
O local será marcado por uma reunião familiar que, de modo bastante natural, colocará em pauta questões passadas que ainda influenciam a vida dos personagens, mesmo quando eles nem se dão conta disso.
Entre as várias narrativas, conhecemos Estelle (Élodie Bouchez), que, decidida a terminar seu casamento com Antonio (Stefano Cassetti), parte de Roma com os três filhos, até a residência de sua mãe na França.
Silenciada física e emocionalmente por uma relação abusiva, ela não sabe o que esperar de seu futuro, mas dá o primeiro passo para fazer essa descoberta pautada por recomeços e oportunidades.
Fugindo de seu presente, Estelle vai encarar seu passado, através do reencontro com os irmãos. A mais velha, Janet (Jeanne Balibar), cuja solidão (que nunca sabemos se é opcional) é latente. Manon (Isild Le Besco, diretora do longa e uma das roteiristas junto a Raphaëlle Desplechin e Steven Mitz), com seu jeito espontâneo e expectativa por felicidade. Jean-Luc (Élie Semoun), o que tenta (sem muito sucesso) se impor no grupo.
A chegada de seu outro irmão, Marc (Axel Granberger), após 20 anos de afastamento, completa o tabuleiro (apesar de entes que já partiram), assim como reabre feridas deixadas de lado, mas nunca esquecidas. E nos mostra a necessidade de se encerrar determinados ciclos, mesmo que isso pareça uma tarefa mais dolorosa do que julgamos suportar.
O grande destaque de “Minha Querida Família” é sua capacidade de tratar assuntos sérios de maneira menos pesada. A simpatia do espectador para com as dores dos personagens se dá naturalmente, sem que seja necessário recorrer ao sentimentalismo exagerado.
E isso torna a trama mais autêntica, quando o público passa a identificar a possibilidade de vivenciar situações semelhantes, ou quem sabe, conhecer alguém que já passou por tais acontecimentos. No final das contas, o roteiro da vida real (ou de sua honesta representação) talvez seja o mais impactante de todos.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Fênix Filmes.


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